
O Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) afirmou que acompanha com preocupação a evolução das manifestações no Irã, que já teria deixado cerca de 2 mil pessoas mortas.
"O Brasil lamenta as mortes e transmite condolências às famílias afetadas. Ao sublinhar que cabe apenas aos iranianos decidir, de maneira soberana, sobre o futuro de seu país, o Brasil insta todos os atores a se engajarem em diálogo pacífico, substantivo e construtivo", diz a nota publicada nesta terça-feira (13).
A pasta disse ainda que não há registros de brasileiros mortos ou feridos no país iraniano.
Os protestos
As manifestações contra o governo iraniano começaram em resposta a uma crise econômica já antiga no país, em grande parte resultado de sanções dos EUA e da Europa relacionadas às ambições nucleares de Teerã. No final de dezembro, a moeda iraniana despencou em relação ao dólar americano, em meio a uma inflação que ultrapassou 40% naquele mês.
A situação levou comerciantes e estudantes universitários às ruas. Após o aumento na adesão às manifestações, a internet foi cortada no país.
Conforme os atos cresciam, contudo, outras reivindicações surgiram. Nas redes sociais e na televisão, manifestantes foram vistos entoando slogans como "morte ao ditador" e "iranianos, levantem suas vozes, gritem por seus direitos".
O Irã é governado, desde 1979, por um regime islâmico. Naquele ano, o xá Mohammad Reza Pahlavi, apoiado pelos Estados Unidos, foi deposto pelas lideranças muçulmanas.
Execução de manifestantes
Erfan Soltani, manifestante iraniano de 26 anos, preso por sua participação nos protestos contra o regime dos aiatolás na cidade de Karaj, será executado na quarta-feira (14) pelas autoridades governamentais do Irã. As informações são do g1, divulgadas pela organização humanitária curdo-iraniana Hengaw nesta terça-feira (13).
Ele foi preso na quinta-feira (8), e de acordo com a família, a sentença de morte é definitiva. Seus parentes afirmam também que o jovem não teve acesso a um advogado, nem direito à ampla defesa.
Negociação com os EUA
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou tarifas com efeito imediato a parceiros comerciais do Irã. "Esta ordem é final e definitiva", escreveu o republicano em uma rede social.
No domingo, Trump afirmou que o Irã entrou em contato com representantes americanos e propôs negociações após as ameaças de intervenção militar da Casa Branca. O presidente disse estar em diálogo com Teerã para organizar uma reunião.
Donald Trump alertou, porém, que pode ter que agir primeiro, uma vez que aumentaram os relatos sobre o número de mortos no Irã.
Segundo o republicano, o Exército americano estuda "opções muito fortes" para o Irã, sem detalhar as possibilidades.
Leia a nota do Itamaraty na íntegra
"O governo brasileiro acompanha, com preocupação, a evolução das manifestações que ocorrem, desde o dia 28 de dezembro, em diversas localidades do Irã.
O Brasil lamenta as mortes e transmite condolências às famílias afetadas.
Ao sublinhar que cabe apenas aos iranianos decidir, de maneira soberana, sobre o futuro de seu país, o Brasil insta todos os atores a se engajarem em diálogo pacífico, substantivo e construtivo.
O Itamaraty, por meio da Embaixada do Brasil em Teerã, se mantém atento às necessidades da comunidade brasileira no Irã.
Não há registros, até o momento, de nacionais mortos ou feridos."


