
O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) esteve reunido nesta segunda-feira (5) para debater o ataque dos Estados Unidos à Venezuela. Em Nova York, nações demonstraram grande discordância, como a Colômbia.
Confira o que disseram os países
Discursos são feitos por diplomatas que representam os país na ONU.
Venezuela
Samuel Moncada, embaixador da Venezuela na ONU:
"O direito internacional dos direitos humanos foi violado, particularmente o direito à vida. A integridade e a segurança pessoal são particularmente graves devido ao sequestro do presidente da República pelo governo dos Estados Unidos da América. Seu desrespeito (dos EUA) não afeta apenas a Venezuela, mas também estabelece um precedente extremamente perigoso para todos os Estados representados nesta Casa, independentemente de seu tamanho, poder ou alianças.
Este cenário não só ameaça a Venezuela, como também ameaça a paz e a segurança internacionais como um todo
Se o sequestro de um chefe de Estado, o bombardeio de um país soberano e a ameaça explícita de novas ações armadas forem tolerados ou minimizados, a mensagem enviada ao mundo será devastadora. Apostamos no diálogo sem aceitar imposições. Acreditamos num futuro de coexistência, desenvolvimento e respeito mútuo entre as nações. Confiamos que este Conselho de Segurança estará à altura do momento histórico que a humanidade enfrenta e escolherá o caminho da legalidade, da responsabilidade coletiva e da paz."
Estados Unidos
Embaixador Mike Waltz falou em dos norte-americanos:
"No último fim de semana, colegas, os Estados Unidos realizaram com sucesso uma operação cirúrgica de aplicação da lei, facilitada pelas forças armadas americanas, contra dois fugitivos indiciados: o narcoterrorista Nicolás Maduro e Cilia Flores. Nicolás Maduro é responsável pelos ataques contra o povo dos Estados Unidos, por desestabilizar o Hemisfério Ocidental e por reprimir ilegitimamente o povo da Venezuela. Como disse o secretário Rubio, não há guerra contra a Venezuela ou seu povo. Não estamos ocupando um país. Trata-se de uma operação de cumprimento da lei", diz o representante norte-americano na ONU.
Maduro não é apenas um traficante de drogas indiciado. Ele era um suposto presidente ilegítimo
"Ele não era um chefe de Estado. Durante anos, Maduro e seus comparsas manipularam o sistema eleitoral da Venezuela para manter o seu domínio ilegítimo sobre o poder", diz Waltz.
"Se a ONU e as Nações Unidas, neste órgão, conferem legitimidade a um narcoterrorista ilegítimo e o mesmo tratamento, nesta carta magna, a um presidente ou chefe de Estado democraticamente eleito, que tipo de organização é essa?", pergunta.
"Maduro era um fugitivo da Justiça. Ele é o chefe de uma organização terrorista estrangeira nefasta, o Cartel de los Soles. Esta organização, patrocinada pelo regime, coordena-se e depende de outras organizações criminosas nefastas, como a Tren de Aragua", diz.
"O Tren de Aragua é uma organização terrorista estrangeira designada, com milhares de membros, muitos dos quais se infiltraram ilegalmente nos Estados Unidos e conduzem guerra irregular e realizam ações hostis contra o povo americano e contra os Estados Unidos. São criminosos que aterrorizam e cometem crimes brutais, incluindo assassinatos, sequestros, extorsões, tráfico de pessoas, drogas e armas" diz o embaixador dos EUA.
"Não podemos continuar a ter as maiores reservas de energia do mundo sob o controle de adversários dos Estados Unidos, sob o controle de líderes ilegítimos, e sem beneficiar o povo da Venezuela, tendo sido roubadas por um punhado de oligarcas dentro da Venezuela", disse.
"O Presidente Trump deixou claro que o narcoterrorismo deve parar, mas ele continuou. Os Estados Unidos não hesitarão em suas ações para proteger os americanos do flagelo do narcoterrorismo, busca pela paz e justiça para o grande povo da Venezuela", encerrou.
África do Sul
"Preocupações com os direitos humanos ou atos criminosos por parte de um chefe de Estado não podem justificar uma violação da proibição do uso da força prevista na Carta (carta das Nações Unidas). A resolução pacífica de disputas e questões internas deve ocorrer em conformidade com o direito internacional e por meio de mecanismos multilaterais."
Argentina
"O governo da República Argentina valoriza a decisão e a determinação demonstradas pelo Presidente dos Estados Unidos da América e por seu governo nas recentes ações tomadas na Venezuela, que resultaram na captura do ditador Nicolás Maduro."
Brasil
"O Brasil não acredita que a solução para a situação na Venezuela resida na criação de protetorados no país, mas sim em soluções que respeitem a autodeterminação do povo venezuelano dentro dos limites de sua Constituição. Os eventos de 3 de janeiro transcendem a esfera regional. O ataque à soberania de qualquer país, independentemente da orientação de seu governo, afeta toda a comunidade internacional."
Chile
"O Chile gostaria também de sublinhar a necessidade urgente de dar continuidade aos esforços coordenados multilateralmente para combater o crime organizado transnacional. E estamos igualmente convictos de que a América Latina e o Caribe devem continuar a ser uma zona de paz, pois essa zona de paz beneficia não só a América Latina e o Caribe, mas o mundo inteiro."
China
China cita erros cometidos pelos Estados Unidos durante o ataque à Venezuela:
"Os EUA desconsideraram as graves preocupações da comunidade internacional, atropelaram deliberadamente a soberania, a segurança e os direitos e interesses legítimos da Venezuela e violaram seriamente os princípios da igualdade, da não interferência em assuntos internos e da solução pacífica de controvérsias internacionais".
China condena uso de força militar para solucionar conflitos entre países.
"Os meios militares não são a solução para os problemas e o uso indiscriminado da força só levará a uma crise ainda maior", declarou o representante chinês.
Ficamos particularmente consternados com o cinismo sem precedentes
"Washington sequer tentou ocultar os verdadeiros objetivos de sua operação criminosa, a saber, o estabelecimento de um controle irrestrito sobre os recursos naturais da Venezuela e a afirmação de suas ambições hegemônicas na América Latina", diz o representante.
Colômbia
"Se um país, especialmente um que é membro permanente deste conselho, desrespeita a lei internacional que nós designamos em São Francisco, qual é o papel deste conselho?", questiona a representante da Colômbia.
Cuba
"Cuba exige uma reação urgente da comunidade internacional contra este ataque criminoso à Venezuela, uma nação pacífica que não atacou os Estados Unidos nem qualquer outro país."
França
Embora conteste a legitimidade do poder de Maduro, França diz que os Estados Unidos violaram a Carta da ONU ao invadir a Venezuela. "É preciso relembrar os fatos?", questiona representante da França ao citar eleições na Venezuela em 2024. País europeu classifica o pleito como fraudulento. "A França continua a se solidarizar com o povo venezuelano diante da crise que o assola há muitos anos. [...] o povo venezuelano exerceu pacificamente seu direito ao voto para moldar o futuro de seu país. O direito do povo de escolher seus líderes, no entanto, foi usurpado por Nicolás Maduro".
Espanha
"A Espanha trabalhará para unir os venezuelanos, homens e mulheres, e está comprometida com o diálogo e a paz, porque a força nunca traz mais democracia."
México
"A atual violação desse frágil equilíbrio põe em grave risco a estabilidade política e a segurança da região, bem como o bem-estar de nossos povos. Tendo em vista os acontecimentos de 3 de janeiro, o México reafirma a sua disponibilidade para apoiar qualquer esforço que vise facilitar o diálogo, a mediação ou prestar assistência que promova a paz na região", finalizou o representante mexicano.
Paraguai
"A saída do líder dessa organização terrorista deve levar imediatamente à restauração da democracia e do Estado de Direito na Venezuela, possibilitando que a vontade popular expressa nas urnas seja a base para a reconstrução do país."
Reino Unido
"Reino Unido já deixou claro há muito tempo que a reivindicação de Maduro ao poder foi fraudulenta. Até o momento, o Conselho Nacional Eleitoral da Venezuela não publicou os resultados completos das eleições presidenciais de julho de 2024", diz o Reino Unido.
Rússia
"Manifestamos nossa firme solidariedade ao povo da Venezuela diante da agressão externa. Apoiamos firmemente e integralmente a política do governo bolivariano, que visa a proteção dos interesses nacionais e da soberania do país", declara representante russo.
Não há, nem pode haver, justificativa para os crimes cinicamente perpetrados pelos Estados Unidos em Caracas













