
Donald Trump vai focar na América Latina, do ponto de vista estratégico-militar. Nesta sexta-feira (5), a Casa Branca divulgou sua nova Estratégia de Segurança Nacional (ESN). O documento, que guiará a política externa do segundo mandato do republicano, estabelece uma reorientação prioritária para a região do Hemisfério Sul.
A estratégia formaliza o retorno à Doutrina Monroe, buscando reafirmar a liderança de Washington sobre o Hemisfério Ocidental.
A estratégia prevê uma presença militar mais robusta e duradoura, com três elementos principais para a ação na América Latina, coincidindo com a escalada de tensões contra a Venezuela e a mobilização militar no Caribe:
- Controle Marítimo: maior presença da Guarda Costeira e da Marinha para controlar rotas marítimas, conter a migração ilegal e o tráfico de drogas e pessoas.
- Combate a Cartéis (Uso de Força Letal): ações direcionadas, incluindo, "quando necessário, o uso de força letal" para derrotar cartéis de drogas, substituindo a antiga abordagem de mera aplicação da lei.
- Acesso Estratégico: estabelecimento ou ampliação do acesso a locais de importância estratégica na região.
Em novembro, o maior porta-aviões do mundo se deslocou até o Caribe para reforçar tropas norte-americanos que atuam no região próxima à costa da Venezuela. Desde agosto, o exército dos Estados Unidos tem promovido ataques contra embarcações que circulam pela região, sob o argumento de "combater o narcotráfico".
Doutrina Monroe
A Doutrina Monroe é um marco histórico na política externa dos Estados Unidos, proclamada pelo Presidente James Monroe em sua mensagem anual ao Congresso em 2 de dezembro de 1823. Seu lema mais famoso é "A América para os americanos".
O ressurgimento da Doutrina Monroe na nova Estratégia de Segurança Nacional dos EUA sinaliza a intenção de Washington de retomar o protagonismo na região e de conter influências externas, especialmente de países como China e Rússia.




