
Quase 16 milhões de chilenos estão aptos a votar neste domingo (14) no segundo turno das eleições presidenciais. O país está dividido entre o candidato mais à direita desde o fim da ditadura de Augusto Pinochet, há 35 anos, e uma comunista que representa a esquerda. As urnas foram abertas às 8h (no horário local e de Brasília) e fecharão às 18h.
As pesquisas apontam como favorito José Antonio Kast, advogado de 59 anos, católico devoto e pai de nove filhos, que promete deportar quase 340 mil migrantes sem documentos, a maioria venezuelanos, e enfrentar a criminalidade de forma direta.
Sua rival é a comunista moderada Jeannette Jara, advogada de 51 anos, de origem humilde e ex-ministra do Trabalho, que promete aumentar o salário mínimo e defender as aposentadorias.
Desde 2010, direita e esquerda se alternam no poder no Chile a cada eleição presidencial.
Na primeira rodada eleitoral, há um mês, tanto Jara quanto Kast obtiveram cerca de um quarto dos votos, com ligeira vantagem para a esquerdista. Mas os votos de toda a direita somaram 70%, e analistas acreditam que isso impulsionará Kast ao Palácio de La Moneda.
O vencedor do segundo turno assumirá em março de 2026, substituindo Gabriel Boric.
Terceira tentativa
Kast repete constantemente que "o país está se desmoronando". Esta é sua terceira tentativa de chegar à presidência, agora como candidato do Partido Republicano, que fundou há cinco anos por considerar a direita tradicional muito branda.
Em seus atos públicos, atrás de um vidro blindado em um dos países mais seguros da região, este ex-deputado apresenta o Chile quase como um Estado falido dominado pelo narcotráfico, distante do "milagre econômico" que o tornou uma das nações mais bem-sucedidas da América Latina.
Para 63% dos chilenos, crime e violência são sua maior preocupação, seguidos pelo baixo crescimento econômico, segundo a última pesquisa Ipsos de outubro.
Especialistas destacam, no entanto, que a percepção do medo no Chile é muito maior do que indicam os números reais da criminalidade.
Os homicídios dobraram na última década, embora estejam em queda há dois anos. Ainda assim, há aumento de crimes violentos como sequestro e extorsão, impulsionado pela chegada de gangues venezuelanas, colombianas e peruanas, como o Tren de Aragua.
O governo de esquerda de Gabriel Boric, ex-líder estudantil que chegou ao poder após os protestos massivos de 2019, fracassou em reformar a Constituição de Pinochet, o que "tirou todo o seu apoio político", avalia Robert Funk, professor de ciência política da Universidade do Chile.
Favorito apesar de Pinochet
Kast apoiou a ditadura militar e afirma que, se estivesse vivo, Pinochet votaria nele. Mas nesta última campanha evitou falar sobre isso e sobre outros temas que possam lhe tirar votos, como sua oposição ao aborto em qualquer circunstância.
Investigações jornalísticas revelaram em 2021 que o pai de Kast, nascido na Alemanha, foi membro do Partido Nazista de Adolf Hitler.
Kast, porém, afirma que seu pai foi um conscrito forçado no exército alemão durante a Segunda Guerra Mundial e nega ter sido partidário do movimento nazista.



