Pelo menos 16 pessoas morreram e 40 ficaram feridas em um ataque a tiros neste domingo (14) na praia de Bondi, uma das mais populares da Austrália, em Sydney. Conforme as forças de segurança, dois homens efetuaram os disparos — um morreu e o outro está em estado grave.
O ataque foi, segundo autoridades locais, direcionado à comunidade judaica. Neste domingo, estava programado no local um evento chamado "Hanukkah à Beira-Mar", para celebrar o feriado judaico de Hanukkah.
– Ouvimos os tiros. Foi chocante. Parecia que foram 10 minutos de "bang, bang, bang". Parecia uma arma potente – disse à AFP Camilo Díaz, um estudante chileno de 25 anos que estava no local.
A polícia australiana encontrou um "artefato explosivo improvisado" em um carro ligado ao suspeito que foi morto, disse o comissário de polícia de Nova Gales do Sul, Mal Lanyon, em coletiva de imprensa.
Dois policiais também foram atingidos no tiroteio e estão em estado grave. Diante da situação, a polícia decidiu classificar o evento como um "ataque terrorista", disse ainda Lanyon.
– O ataque foi arquitetado para atingir a comunidade judaica de Sydney no primeiro dia de Hanukkah. O que deveria ser um evento de paz e felicidade, uma celebração entre famílias e simpatizantes, foi subvertido por esse maldito e horrível ataque – afirmou em pronunciamento o primeiro-ministro do estado de Nova Gales do Sul, Chris Minns.
O presidente israelense, Isaac Herzog, classificou o ataque como "cruel contra judeus" e pediu às autoridades australianas que intensifiquem sua luta contra o antissemitismo.
Da mesma forma, o chefe da Associação Judaica da Austrália, Robert Gregory, disse à AFP que o ataque foi "uma tragédia, mas completamente previsível" e denunciou o governo por "não tomar medidas adequadas para proteger a comunidade judaica".
O Conselho Nacional de Imãs da Austrália, uma organização muçulmana, chamou o ataque de "horrível".
A Confederação Israelita do Brasil (Conib) manifestou, em nota, "profunda consternação e solidariedade" à comunidade judaica da Austrália (leia a íntegra abaixo).
Como ocorreu o ataque
Os serviços de emergência receberam as primeiras ligações por volta das 18h45min (4h45min no horário de Brasília), segundo a polícia.
"Diversos objetos suspeitos encontrados nas proximidades estão sendo examinados por agentes especializados e uma zona de isolamento foi estabelecida", disse a polícia em um comunicado.
A colina que leva à praia de Bondi, no leste de Sydney, um local popular entre banhistas e turistas especialmente nos finais de semana, estava repleta de pertences abandonados por pessoas que fugiram, incluindo um carrinho de bebê, relatou um jornalista da AFP no local.
– Houve um ataque a tiros, dois agressores vestidos de preto com fuzis semiautomáticos – disse o turista britânico Timothy Brant-Coles à AFP.
Outra testemunha, Harry Wilson, um morador local de 30 anos, disse ao Sydney Morning Herald que viu "pelo menos 10 pessoas no chão e sangue por toda parte".
O comissário de polícia de Nova Gales do Sul, Mal Lanyon, afirmou que a corporação e os atendimentos de pronto-socorro responderam de forma "efetiva" e a situação está controlada.
Nota da Conib
"A CONIB manifesta sua profunda consternação e solidariedade à comunidade judaica da Austrália diante do atentado ocorrido durante o evento de acendimento da primeira vela de Chanucá, em Bondi Beach, que deixou mais de dez mortos segundo as primeiras informações.
Atacar judeus enquanto celebram sua fé não é apenas um crime contra indivíduos ou contra uma comunidade específica. É um ataque aos valores mais fundamentais da convivência democrática, à liberdade religiosa e ao direito de viver sem medo.
O que deveria ser um momento de celebração da vida, da fé e da luz foi brutalmente interrompido pelo ódio. Famílias foram atingidas, pessoas ficaram feridas e uma comunidade inteira foi marcada pela violência em um momento sagrado.
Desde os ataques do Hamas contra Israel em outubro de 2023, o antissemitismo explodiu pelo mundo. A campanha de vilificação de Israel têm como consequência ataques contra comunidades judaicas em várias partes do globo, como vimos na Austrália agora, mas tbm nos EUA e na Europa.
Neste momento de dor, nos unimos em luto às vítimas, às suas famílias e a toda a comunidade judaica australiana. Reafirmamos nosso repúdio ao terrorismo e ao antissemitismo e reiteramos a urgência de que o mundo reconheça e enfrente essa ameaça sem relativizações ou silêncio.
Chanucá é a celebração da luz que resiste à escuridão. Que essa luz não seja apagada pelo ódio".





