
Milhares de agricultores europeus protestaram em Bruxelas nesta quinta-feira (18) contra o acordo comercial planejado pela União Europeia (UE) com o Mercosul. O pacto vem causando divergências dentro da cúpula da UE. O presidente francês, Emmanuel Macron, manifestou posição contrária à assinatura.
— Quero dizer aos nossos agricultores que manifestam claramente a posição francesa desde o início: consideramos que as contas não fecham e que este acordo não pode ser assinado — declarou o mandatário à imprensa antes de uma reunião da UE.
A maioria dos franceses vê o acordo como injusto por acreditar que produtores da América Latina seguem regras ambientais menos rigorosas. A Comissão Europeia concedeu ao país garantias para os setores mais ameaçados, mas os trabalhadores seguem desconfiando do processo.
O texto está em negociações há 25 anos e daria origem à maior zona de livre comércio do mundo. A presidente do Executivo europeu, Ursula von der Leyen, precisa do aval prévio da maioria qualificada dos Estados-membros, mas vários países pedem o adiamento do acordo, entre eles França, Polônia e Hungria, que receberam a adesão da Itália na quarta-feira (17). A assinatura está prevista para ocorrer neste sábado (20).
Do outro lado, Espanha, Alemanha e os países nórdicos apoiam com veemência o pacto com o Mercosul, desejosos de impulsionar as exportações no momento em que a Europa enfrenta a concorrência chinesa e um governo americano inclinado a impor tarifas.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu um ultimato aos europeus na quarta-feira.
— Se a gente não fizer agora, o Brasil não fará mais acordo enquanto eu for presidente — afirmou durante uma reunião ministerial em Brasília. — Se disserem não, nós vamos ser duros daqui para frente com eles.
Como funciona o acordo
O acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul prevê a redução de tarifas e regras visando melhorias no comércio entre os dois blocos. O texto vem passando por revisões desde que foi firmado politicamente em 2019, mas só agora entrou na fase decisiva de aprovação pelos países europeus.
O Mercosul eliminaria as tarifas sobre 91% das exportações da UE, incluindo automóveis, ao longo de um período de 15 anos. Já a UE eliminaria progressivamente as tarifas sobre 92% das exportações do Mercosul ao longo de um período de até 10 anos.
O Mercosul também eliminaria as tarifas sobre produtos agrícolas da UE, como os 17% sobre vinhos e os 20-35% sobre bebidas destiladas.




