
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (17) que não descarta o envio de tropas à Venezuela e vinculou a crescente presença militar americana no Caribe ao combate ao narcotráfico.
— Não descarto nada — disse o norte-americano — Só precisamos resolver a questão do tráfico — completou. A declaração foi dada durante uma coletiva no Salão Oval da Casa Branca. O republicano ainda acrescentou que não é "fã" do governo venezuelano.
Questionado sobre a escalada de tensões na fronteira com o México, Trump afirmou que, se fosse necessário atacar o país para conter o fluxo de drogas, não teria problemas com isso.
— Por mim, tudo bem. Faria o que fosse preciso para deter as drogas — respondeu.
Trump ainda declarou que gostaria de acabar com os laboratórios de produção de cocaína na Colômbia, embora não tenha planos imediatos para isso.
Campanha contra tráfico de drogas
Desde setembro, com o envio de navios de guerra ao Mar do Caribe, as forças americanas mataram pelo menos 83 pessoas, às quais acusam de tráfico de drogas, de acordo com um balanço da AFP baseado em números anunciados ao público.
Os Estados Unidos não apresentaram evidências que apoiem as suas afirmações de que as pessoas atingidas pelos ataques, em mais de 20 operações em mar aberto no Caribe e no Pacífico, eram de fato narcotraficantes.
O governo da Venezuela, no entanto, vê o destacamento militar naval americano como uma ameaça direta. O presidente do país sul-americano, Nicolás Maduro, classificou no sábado o anúncio de Washington sobre novos exercícios militares conjuntos com Trinidad e Tobago como "irresponsáveis".
Os Estados Unidos não reconhecem Maduro como presidente legítimo da Venezuela e oferecem uma recompensa de US$ 50 milhões (cerca de R$ 265 milhões) por sua captura para que enfrente acusações como chefe de um cartel do narcotráfico. Na sexta-feira (14), Trump disse que, "de certa forma", já decidiu os próximos passos em relação à Venezuela.
Anteriormente, Trump havia dito em uma entrevista à emissora CBS News que não acreditava que os Estados Unidos fossem entrar em guerra com a Venezuela, mas que achava que os dias de Maduro estavam contados. O Comando Sul informou neste domingo que o grupo de ataque do porta-aviões USS Gerald R. Ford no Mar do Caribe segue as "ordens de Trump de desmantelar as organizações criminosas transnacionais e combater o narcoterrorismo em defesa da pátria".





