A primeira-ministra de Trinidad e Tobago, Kamla Persad-Bissessar, aliada do presidente americano Donald Trump, assegurou nesta segunda-feira (17) que Washington "nunca pediu" para usar o arquipélago para lançar ataques contra a Venezuela, enquanto militares americanos realizam exercícios em seu país.
Desde agosto, Washington mantém no Caribe uma importante presença militar com meia dúzia de navios de guerra, entre outros, oficialmente para combater o tráfico de drogas aos Estados Unidos.
"Os Estados Unidos NUNCA pediram para usar o nosso território para lançar ataques contra o povo da Venezuela. O território de Trinidad e Tobago NÃO será usado para lançar ataques contra o povo da Venezuela", escreveu a primeira-ministra à AFP em mensagem no WhatsApp sobre os exercícios militares.
"Trinidad e Tobago não participará de nenhum ato que possa prejudicar o povo venezuelano. Continuamos mantendo relações pacíficas com o povo da Venezuela", acrescentou.
O presidente venezuelano Nicolás Maduro considera o destacamento militar americano no Caribe uma "ameaça" e classificou os exercícios de "irresponsáveis".
Essas manobras, que acontecem até sexta-feira, são as segundas em menos de um mês entre Washington e o pequeno arquipélago anglófono situado a cerca de 10 km da Venezuela.
Washington alterna entre sinais contraditórios sobre a possibilidade de ataques em território venezuelano.
O presidente Donald Trump disse nesta segunda-feira que falará em algum momento com Maduro e não descartou a possibilidade de enviar tropas ao país da América do Sul.
"Em algum momento, falarei com ele [Maduro]", disse Trump aos jornalistas no Salão Oval. Questionado sobre se descartava o envio de tropas americanas à Venezuela, respondeu: "Não, não descarto. Não descarto nada."
Persad-Bissessar também afirmou apoiar discussões entre Trump e Maduro. "A melhor maneira de resolver os problemas é através do diálogo", frisou.
"Há muitos problemas urgentes. Há o problema do narcotráfico [...] e do tráfico de pessoas. Há o problema das eleições que não são nem livres nem justas", disse a primeira-ministra sobre o país vizinho.
Acrescentou que "há o problema das gangues perigosas que semeiam o caos em outros países", e o "problema de uma crise humanitária na qual milhões fogem de regimes opressivos".
Desde que chegou ao poder em maio, Persad-Bissessar aumentou as declarações hostis ao governo venezuelano e fez da luta contra a imigração venezuelana um de seus cavalos de batalha, associando-a regularmente com a alta criminalidade no arquipélago.
O ex-primeiro-ministro Keith Rowley (2015-2025) se mostrou crítico aos exercícios militares.
"No momento em que os Estados Unidos ameaçam invadir a Venezuela, destruir a Venezuela, os americanos nos pedem para fazer certas coisas. É nossa soberania dizer que isso não é de nosso interesse e rejeitar", declarou ele em coletiva de imprensa.
* AFP




