
A Câmara dos Deputados dos Estados Unidos aprovou a abertura total dos arquivos do caso do Jeffrey Epstein, nesta terça-feira (18). A proposta agora segue para o Senado e, na sequência, para sanção do presidente Donald Trump.
Na última semana, o presidente dos Estados Unidos mudou de posição sobre a abertura dos arquivos e passou a defender a divulgação. O caso Epstein divide o Partido Republicano e afastou Trump de alguns de seus aliados dentro do movimento Make America Great Again (Maga).
Alguns críticos acusavam o presidente de querer impedir a votação para ocultar elementos que o implicariam neste caso, algo que ele nega.
"Os republicanos da Câmara deveriam votar pela divulgação dos arquivos de Epstein, porque não temos nada a esconder", escreveu Trump em sua plataforma Truth Social.
Quem era Jeffrey Epstein
Epstein foi um magnata e criminoso sexual condenado que cometeu suicídio em sua cela, em agosto de 2019.
O empresário deixou para trás uma trilha de escândalos ligados a uma rede de menores de idade que foram abusadas sexualmente por ele e alguns de seus convidados – em muitos casos personalidades internacionais.
Segundo as autoridades, Epstein cometeu suicídio enquanto aguardava julgamento na prisão por suposta exploração sexual de menores. Sua parceira, Ghislaine Maxwell, cumpre pena de 20 anos de prisão pelo mesmo crime.
Epstein, com Ghislaine como recrutadora, levava menores de idade para suas residências, especialmente em Nova York e na Flórida.
Citação a Trump
Os democratas, na oposição e em minoria no Congresso, exigem que todos os arquivos do processo sejam publicados após o surgimento de e-mails de Epstein sobre Trump.
Em documentos divulgados, Epstein sugeria que Trump "sabia sobre as garotas" e que ele teria "passado horas" com uma das vítimas em sua casa.
O presidente republicano então acusou os democratas de promoverem a "farsa de Epstein", e lamentou que alguns congressistas de seu partido apoiassem a iniciativa da oposição.
"Alguns 'membros' do Partido Republicano estão sendo 'usados', e não podemos permitir que isto aconteça. O Comitê de Supervisão da Câmara pode ter tudo o que lhes corresponde legalmente, NÃO ME IMPORTO!", afirmou o presidente.
E-mails
As vítimas sobreviventes de Epstein enviaram uma carta na sexta-feira aos congressistas norte-americanos na qual pediam a divulgação dos arquivos.
"Aqui não há meio-termo. Não há lugar para se esconder atrás da filiação partidária", afirma o texto.
O FBI e o Departamento de Justiça anunciaram há meses que, após uma investigação interna, não poderiam divulgar mais documentos sem comprometer testemunhas-chave durante o julgamento que condenou Epstein.
Nos e-mails também há mensagens com Larry Summers, ex-assessor econômico de Barack Obama e que presidiu a Universidade de Harvard. Além disso, as mensagens revelaram que o ex-presidente democrata Bill Clinton frequentou o círculo do criminoso nas décadas de 1990 e 2000.
Trump exigiu que a procuradora-geral Pam Bondi e o FBI investiguem os vínculos de Epstein com Clinton e Summers.
Uma parte dos norte-americanos e políticos, tanto da direita quanto da esquerda, acreditam que Epstein foi assassinado para evitar que mencionasse o envolvimento de personalidades no escândalo.
