
Os argentinos irão decidir neste domingo (26) mais do que metade da Câmara Federal e um terço do Senado. Segundo o presidente Javier Milei é o futuro do país está em jogo.
As eleições são um teste de força para o governo Milei, que se viu acuado por um escândalo de corrupção e em razão de suas medidas econômicas.
Nas últimas semanas, a crise cambial elevou o dólar ao patamar de 1,5 mil pesos. Diante disso, Milei se esforçou para conseguir um acordo com os Estados Unidos que garantisse ao menos alguma notícia positiva.
O governo americano concordou com uma troca de moedas no valor de US$ 20 milhões e mais compra de pesos pelo tesouro americano para acalmar os mercado.
Caminho pedregoso
Mesmo assim, o cenário parece ser complicado para os governistas. O escândalo de corrupção que denunciou uma suposta rede de subornos na Agência Nacional de Discapacidad (Andis) em setembro envolveu Karina Milei, irmã do presidente e secretária-geral da presidência

Segundo as denúncias, Karina receberia 3% de suborno sobre a compra de determinados produtos farmacêuticos para a rede pública. O número virou slogan para a oposição.
O resultado é que o governo chega ao dia da eleição em seu pior nível de avaliação. Segundo pesquisa do LatAm Pulse, realizada pela AtlasIntel para a Bloomberg News, a aprovação de Milei recuou pelo terceiro mês consecutivo para 39,9%. Já a desaprovação pulou para 55,7%. Em janeiro, a porcentagem de argentinos que o aprovavam era de 55%.
Além disso, no início de setembro, uma derrota eleitoral frustrou as expectativas do governo de uma eleição legislativa tranquila. Na eleição provincial de Buenos Aires, a mais populosa e influente do país, a coalizão oposicionista Fuerza Patria teve 47,28% dos votos. Já a chapa do partido La Libertad Avança (LLA) alcançou apenas 33,71%.
O resultado levou a uma escalada da crise econômica.
Economia claudicante
Para não perder a esperança, o governo se apoia nos bons números de inflação. Quando Milei chegou à Casa Rosada, a inflação era de 25,5%. Em setembro, o dado fechou em 2,1%. Os números são do Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec) argentino.
Esses resultados, contudo, foram obtidos às custas de um ajuste fiscal duro, que pela primeira vez em 11 anos permitiu que as contas fechassem no azul. O governo fez cortes na máquina pública, com redução de cargos e investimentos.

O economista e autor do livro Inflação! Por que a Argentina não consegue se livrar? Juan Manuel Telechea afirmou que os grandes perdedores foram os empregados do setor público.
— Empregados ligados ao ensino, e também os pesquisadores, setores específicos do emprego privado registrado como foi o caso da indústria pela forte queda do consumo, e a construção, que também foi extremamente afetada pela paralisação da obra pública — avaliou.
Importância desta eleição
A continuidade desse receituário libertário no governo depende de qual congresso que vai emergir das urnas neste domingo. Metade dos assentos na Câmara (127) e um terço do Senado (24) está em disputa.
Até o momento, a oposição peronista detém maioria nas duas casas. O partido de Milei possui cerca de 15% das cadeiras na Câmara e 11% no Senado.
Para conseguir tranquilidade na governança, porém, precisará compor com parte da "casta" que tanto critica. Seus principais parceiros são o PRO, do ex-presidente Mauricio Macri, e a União Cívica Radical (UCR). Cerca de 60% das cadeiras desses partidos estão em jogo.
Oposição
Como apontou o colunista de Zero Hora Rodrigo Lopes, a derrota de Sergio Massa para Milei em 2023, afetou o kirchnerismo. A prisão de sua principal liderança Cristina Kirchner agravou ainda mais a situação.

Quem cumpre o papel de aglutinar essas forças oposicionistas, no momento, é o governador da província de Buenos Aires, Axel Kicillof. Durante o governo de Cristina, ele chegou a ser ex-ministro da Fazenda.
Outros nomes de destaque neste campo são Máximo Kirchner, deputado, filho da ex-presidente e líder da bancada do Unión por la Patria na Câmara, e o próprio Sergio Massa.
Vantagem governista
Apesar do cenário parecer desafiador para o La Libertad Avança, uma pesquisa da AtlasIntel divulgada na sexta-feira (24) indica uma tendência favorável para seu partido.
Os números apontavam que 41,1% dos entrevistados devem votar no partido governista. Já 37,2% indicaram voto na Fuerza Patria, a coalizão que reúne a oposição peronista. Em terceiro lugar aparece o bloco Provincias Unidas, com apenas 5,8%.
*Produção: Guilherme Freling