
Melissa, o pior furacão do Atlântico em quase um século, deixou pelo menos 53 mortos, sendo 30 no Haiti, 19 na Jamaica, três no Panamá e um na República Dominicana. Além disso, partes de Cuba ficaram em ruínas durante a passagem da tempestade na quinta-feira (30) pelo Caribe em direção às Bermudas.
Prevê-se que as inundações diminuam nas Bahamas, que suspendeu o alerta de furacão, embora possam persistir em Cuba, Jamaica, Haiti e República Dominicana, informou o Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos (NHC, na sigla em inglês).
"As condições nas Bermudas vão se deteriorar rapidamente esta noite", afirmou o NHC, referindo-se à chegada do Melissa ao arquipélago do Oceano Atlântico, com ventos máximos sustentados próximos de 165 km/h.
No Haiti, que não foi atingido diretamente pelo furacão, mas sofre com fortes chuvas, pelo menos 30 pessoas — incluindo 10 crianças — morreram e 20 estão desaparecidas, segundo um novo balanço oficial divulgado na quinta-feira. A maioria das mortes (23) foi causada por uma inundação repentina no sudoeste do país.
Na Jamaica, "o número confirmado de mortos pelo furacão Melissa agora é 19", informou à imprensa a ministra da Informação, Dana Morris Dixon. Enquanto isso, o impacto do fenômeno na quarta-feira (29) agravou a já difícil situação de Cuba, que enfrenta uma grave crise econômica há cinco anos. Em Santiago de Cuba, a segunda maior cidade do país, a tempestade provocou o desabamento de partes de casas e o destelhamento de muitas outras. A cidade ficou sem eletricidade e vários cabos de alta tensão estavam caídos.
— Este ciclone nos matou porque nos deixou destruídos — disse à AFP Felicia Correa, 65 anos, moradora do povoado La Trampa, cerca de 20 quilômetros a leste de Santiago de Cuba. — Já estávamos passando por grandes dificuldades. Agora, claro, estamos muito pior.
Em El Cobre, perto de La Trampa, ouvia-se o som de martelos: quem havia perdido o telhado tentava repará-lo com a ajuda de amigos ou vizinhos. Outros se aventuravam em busca de comida, enquanto alguns comércios começavam a reabrir.
As autoridades cubanas informaram que cerca de 735 mil pessoas foram evacuadas, especialmente nas províncias de Santiago de Cuba, Holguín e Guantánamo.
Ajuda humanitária
O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, que viajou à província de Holguín, uma das mais afetadas, declarou que o furacão causou "danos consideráveis", mas nenhuma vítima fatal.
O governo dos Estados Unidos, liderado por Donald Trump, informou que enviou equipes de resgate e resposta a Jamaica, Haiti, República Dominicana e Bahamas e ofereceu ajuda a Cuba, seu histórico rival ideológico.
"Os Estados Unidos estão preparados para fornecer assistência humanitária imediata ao valente povo cubano", afirmou no X o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio.
O chanceler venezuelano, Yván Gil, anunciou o envio de 26 toneladas de ajuda humanitária a Cuba.
O Reino Unido garantiu uma ajuda de emergência de cerca de US$ 3,3 milhões para a região e informou que disponibilizará voos para facilitar a saída de cidadãos britânicos da Jamaica.
"El Salvador enviará amanhã (nesta sexta-feira) três aviões de ajuda humanitária à Jamaica”, anunciou, por sua vez, o presidente salvadorenho, Nayib Bukele, também no X.
Melissa já causava estragos na região, onde muitos morreram enquanto tentavam proteger as suas casas antes da chegada da tempestade. A força do fenômeno superou a de furacões como o Katrina, que devastou a cidade de Nova Orleans em 2005.
Melissa foi a tempestade mais poderosa a atingir terra firme em 90 anos, quando chegou à Jamaica na terça-feira (28) como um furacão de categoria 5 — a mais alta na escala Saffir-Simpson —, com ventos de cerca de 300 km/h, segundo uma análise da AFP com base em dados meteorológicos da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos.
