
Após a passagem do furacão Melissa, ao menos 21 gaúchos estão sem conseguir sair da Jamaica. Desses, 19 fazem parte de um grupo de amigos e familiares de Tramandaí, no Litoral Norte, e outros dois formam um casal de Porto Alegre.
O furacão chegou à Jamaica na terça-feira (28) com uma classificação de categoria 5, a maior na escala Saffir-Simpson, com vento chegando a quase 300 km/h. O fenômeno, o pior registrado no Atlântico em quase um século, deixou pelo menos 53 mortos, sendo 30 no Haiti, 19 na Jamaica, três no Panamá e um na República Dominicana.
Os dois principais terminais aéreos do país caribenho, o Aeroporto Internacional Norman Manley, em Kingston, e o Aeroporto Internacional Sangster, em Montego Bay, foram fechados. Diariamente, os voos dos brasileiros são cancelados.
O dentista gaúcho Ramão Luciano de Souza, 40 anos, relata que, após uma tentativa frustrada de embarcar para o Brasil antes da chegada do furacão, o grupo de turistas tentou abrigo na embaixada brasileira, mas não conseguiu. Os turistas precisaram se dividir entre dois hotéis.
— Ficamos 36 horas dentro do quarto. No pico alto do furacão, janelas iam arrebentando e a gente ia segurando a porta entre seis. Depois, ficaram só dois homens segurando, esperando o vento passar, mas era um furacão. Parecia que não ia passar nunca — relata Ramão Luciano de Souza.
Nesta sexta (31), uma das hospedagens ficou sem acesso a água, energia elétrica e alimentos. Os brasileiros têm levado mantimentos de uma parte dos amigos para outra.
— Não tem banho nem comida. E o nosso consulado daqui não resolveu nada. Mandam mensagem para dizer: "Bom dia, está tudo bem?". O máximo é para saber se estão mortos ou estão vivos. A gente necessita, como todos os outros países estão fazendo, o avião da Força Aérea para vir buscar todos os brasileiros e trazer mantimentos para o povo daqui, porque avião comercial não tem luz para fazer o check-in, passar por raio X, alfândega. Só a pista está liberada — complementa Souza.
Um casal de idosos de Porto Alegre também segue na Jamaica, em Montego Bay, em um hotel com racionamento de água e comida. Lizete Silberfarb Costa e Virgilio Costa, ambos de 66 anos, voltariam nesta sexta para o Brasil, mas tiveram o voo cancelado.
— A gente usa medicações que vão terminar hoje. O hotel está bem precário. A gente não tem informação de nada, não chega para nós. O nosso medo é que os dias estão passando e não vai ter mais, porque não tem como chegar, nem comida, nem nada aqui. Os voos estão todos sendo cancelados dia a dia. Nós não recebemos nenhum apoio do Brasil, absolutamente nada — conta Lizete.
Durante a passagem do furacão, o casal ficou cerca de 15 horas confinado em um teatro do hotel. Eles possuem uma passagem agendada para domingo, mas a incerteza nas comunicações ainda deixa o casal preocupado.

O que dizem as autoridades
Em nota, o Ministério das Relações Exteriores informou que o Itamaraty está prestando auxílio a todos os brasileiros que acionaram o serviço de assistência consular naquela jurisdição.
Entretanto, a pasta informou que não tem poder sobre o envio de um avião da Força Aérea Brasileira para trazer o grupo para o país e não esclareceu como o resgate poderia ser feito. O Itamaraty também não informou quantos brasileiros estão na Jamaica.
Segundo o governo do Rio Grande do Sul, a embaixada brasileira na Jamaica afirmou que há expectativa de que os gaúchos possam embarcar em voos comerciais neste sábado (1º).
Nota do Ministério das Relações Exteriores:
"O Ministério das Relações Exteriores, por meio da Embaixada do Brasil em Kingston, acompanha com atenção os desdobramentos da passagem do Furacão Melissa e presta auxílio a todos os brasileiros que acionaram o serviço de assistência consular naquela jurisdição.
O setor consular da Embaixada tem divulgado informações para os brasileiros que se encontram na Jamaica por meio de correio eletrônico e de suas redes sociais. Brasileiros que tiverem necessidade de apoio consular podem entrar em contato pelo seguinte número de telefone: +1 (876) 579-5347.
O atendimento consular prestado pelo estado brasileiro é feito a partir de contato do cidadão interessado ou, a depender do caso, de sua família. A atuação consular do Brasil pauta-se pela legislação internacional e nacional. Para conhecer as atribuições das repartições consulares do Brasil, recomenda-se consulta à seguinte seção do Portal Consular do Itamaraty: https://www.gov.br/mre/pt-br/assuntos/portal-consular/assistencia-consular"
Nota do governo do RS
"O gabinete do governador fez contato com o encarregado de negócios da embaixada do Brasil na Jamaica, embaixador Antônio Ricarte, que está em contato com o grupo de 19 gaúchos. Segundo a informação repassada, eles se encontram hospedados em dois hotéis próximos do aeroporto de Montego Bay e, amanhã, a expectativa é de que eles possam embarcar em voos comerciais para retornar."



