
Os Estados Unidos anunciaram nesta sexta-feira (24) sanções contra o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, e contra o ministro do Interior, Armando Benedetti, acusados de não conter o tráfico ilícito de drogas.
"O presidente Petro permitiu que os cartéis de drogas prosperassem e se recusou a interromper essa atividade", disse o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, em comunicado.
"O presidente Trump está tomando medidas firmes para proteger nossa nação e deixar claro que não toleraremos o tráfico de drogas para o nosso país", acrescentou.
As medidas, publicadas pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (Ofac, na sigla em inglês), implicam o bloqueio de qualquer propriedade que Petro, bem como sua esposa e um de seus filhos, possuam nos Estados Unidos, e também os impede de realizar transações internacionais com meios de pagamento localizados nos Estados Unidos.
Petro diz que "luta contra o narcotráfico há décadas"
Após o anúncio das sanções, o presidente da Colômbia afirmou que as medidas dos EUA ocorrem apesar de ele "lutar contra o narcotráfico durante décadas" e anunciou que não dará "nem um passo atrás".
Petro sustenta que os assessores de Trump são próximos de narcotraficantes e afirma que os chefes do tráfico de cocaína vivem confortavelmente em cidades dos Estados Unidos, como Miami.
"Lutar contra o narcotráfico durante décadas e com eficácia me traz esta medida do governo da sociedade que tanto ajudamos a deter seus consumos de cocaína", escreveu Petro na rede X.
"Nem um passo atrás e jamais de joelhos", acrescentou.
Petro foi acusado no domingo (19) por Trump — que não apresentou provas — de ser um "líder do narcotráfico", e o republicano anunciou o fim da ajuda econômica à Colômbia em represália ao alto nível de produção de drogas no país sul-americano.
As sanções desta sexta-feira também envolvem a esposa do presidente, Verónica Alcocer, e seu filho mais velho, Nicolás Petro, que está no meio de um processo penal por supostamente ter recebido cerca de 100 mil dólares de um ex-narcotraficante que cumpriu pena nos Estados Unidos para a campanha de seu pai em 2022. O primogênito do presidente afirma que o dinheiro não chegou às finanças da campanha.
Também foi sancionado o ministro do Interior, Armando Benedetti, o funcionário mais próximo de Petro e um de seus maiores aliados durante a campanha presidencial.
"Para os Estados Unidos, uma manifestação não violenta é o mesmo que ser narcotraficante. Gringos, vão para casa", acrescentou o ministro.
Petro se opõe aos ataques de Washington contra supostas lanchas de narcotraficantes no Caribe e no Pacífico, que até o momento deixaram cerca de 40 mortos.



