
Os Estados Unidos anunciaram nesta sexta-feira (24) o envio de seu maior porta-aviões e sua frota acompanhante para "combater o narcoterrorismo" na América Latina.
Ainda em agosto, o exército norte-americano já havia mobilizado caças, um submarino e navios com forças especiais em águas internacionais do Caribe. Segundo Donald Trump, o objetivo é combater o tráfico de drogas e evitar o envio de entorpecentes ao seu país.
Embora tenha tido a presença regular de porta-aviões para exercícios de treinamento com forças de países vizinhos, é a primeira vez que os Estados Unidos deslocam uma força dessa magnitude na América Latina contra o narcotráfico.
"Em apoio à diretriz do Presidente (Trump) para desmantelar Organizações Criminosas Transnacionais (TCOs) e combater o narcoterrorismo em defesa da Pátria, o Secretário de Guerra comandou o Grupo de Ataque de Porta-Aviões Gerald R. Ford e embarcou uma ala aérea de porta-aviões para a área de responsabilidade (AOR) do Comando Sul dos EUA (USSOUTHCOM)", publicou na rede social X Sean Parnel, porta-voz do Pentágono.
Horas antes do anúncio, o secretário de Guerra, Pete Hegseth, informou via X o 10º ataque contra uma suposta lancha do narcotráfico, que deixou seis mortos.
Ataques em alto mar
Ao menos 43 pessoas morreram no Caribe e no Pacífico desde que os Estados Unidos iniciaram sua atual campanha de combate ao narcotráfico na região em 2 de setembro.
A embarcação destruída na noite de quinta (23) para sexta-feira era operada pelo cartel Trem de Aragua, afirmou o secretário da Defesa no X.
Este foi o primeiro ataque noturno na região, explicou Hegseth, que acompanhou sua mensagem com um vídeo em preto e branco no qual se vê um barco navegando em velocidade normal, até que explode.
O chefe do Pentágono alertou que os Estados Unidos trataram os "narcoterroristas" como trataram a organização terrorista "Al Qaeda", de Osama bin Laden.
"Execuções extrajudiciais"
Presidente da Colômbia, Gustavo Petro afirmou na quinta-feira que os Estados Unidos estão cometendo "execuções extrajudiciais".
Donald Trump avisou no início de seu atual mandato que estava disposto a usar todo o potencial militar norte-americano para acabar com as rotas do narcotráfico e com os líderes dos cartéis. Para isso, declarou cartéis como o de Sinaloa ou Trem de Aragua "organizações terroristas", por meio de decreto presidencial.
Isso permitiria a Washington, segundo o governo, usar as mesmas ferramentas que utilizou durante duas décadas em todo o mundo após os ataques de 11 de setembro de 2001 da Al Qaeda.
Os Estados Unidos estão em "conflito armado" com os cartéis de drogas, explicou Trump em uma carta enviada ao Congresso. O republicano garante que o tráfico marítimo de drogas foi praticamente erradicado. No entanto, o ritmo dos ataques com mísseis contra as embarcações aumentou.
Ao mesmo tempo, o presidente evoca de maneira crescente que está disposto a agir contra os interesses "narcoterroristas" em terra firme, sem esclarecer onde.
Na quinta-feira, Washington anunciou junto com Trinidad e Tobago planos militares em frente às costas da Venezuela com o navio de guerra USS Gravely.
O governo de Trinidad e Tobago ofereceu "categoricamente seu claro apoio à intervenção militar em curso".
"Incendiar" a América do Sul
A Venezuela mobilizou tropas e milícias diante da ameaça norte-americana.
O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, acusado pelo governo dos Estados Unidos e oficialmente indiciado perante um tribunal em Nova York por executar o chamado cartel de los Soles, sustenta que a verdadeira intenção de Washington é promover uma mudança de regime em seu país.
Uma "intervenção externa" na Venezuela "pode incendiar" a América do Sul, disse em entrevista à AFP o assessor especial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Celso Amorim:
— Não podemos aceitar uma intervenção externa porque isso vai criar um ressentimento imenso — acrescentou Amorim.
Trump chegou a confirmar que a Agência Central de Inteligência (CIA, na sigla em inglês) poderia realizar operações secretas dentro da Venezuela.

