
A reunião entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump, neste domingo (26), em Kuala Lumpur, na Malásia, gerou repercussão entre aliados e opositores no Brasil.
Governistas veem o encontro como um gesto de reaproximação diplomática, enquanto bolsonaristas minimizaram os resultados e destacaram declarações anteriores de Trump sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
O encontro teve como pauta principal a revogação do tarifaço de 50% imposto pelos EUA às exportações brasileiras. Tarifas, terras raras e escalada da crise entre EUA e Venezuela também estiveram entre os temas tratados na conversa entre os dois presidentes.
Aliados comemoram “postura firme” de Lula
Nas redes sociais, aliados de Lula celebraram a reunião, descrevendo o petista como um “estadista” e elogiando sua disposição ao diálogo.
O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Geraldo Alckmin, classificou o encontro como um passo importante na relação bilateral. "Temos bons motivos para acreditar no diálogo. Foi mais um passo para Brasil e EUA estreitarem ainda mais seus laços de amizade”, escreveu nas redes sociais.
A ministra do Planejamento, Simone Tebet, também celebrou a conversa, descrevendo-a como “mais um gol” da diplomacia brasileira. “Início de conversa que vai significar a nossa vitória no placar do crescimento, da geração de empregos e do controle da inflação”, afirmou.
Já a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, afirmou que o encontro “destravou negociações sobre o tarifaço” e abriu diálogo sobre as sanções da Lei Magnitsky e a preservação da paz na América do Sul.
O ministro do Turismo, Celso Sabino, acrescentou que Lula “mostrou força e capacidade de diálogo”, destacando a importância de conversar “com quem pensa diferente”. Enquanto o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, avaliou que o encontro marcou “um novo olhar mais pragmático e menos ideológico de Washington para Brasília”.
O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), afirmou que o encontro simboliza “a volta de um Brasil que fala de igual para igual com o mundo” e destacou que Lula foi “firme” ao cobrar o fim das tarifas norte-americanas. “O presidente age com pragmatismo e responsabilidade, buscando saídas concretas para revogar as sanções políticas e econômicas sem abrir mão da autodeterminação do Brasil”, disse.
O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), afirmou que Lula demonstrou ser “um dos maiores estadistas do nosso tempo”, enquanto o líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), disse que o republicano teria se impressionado com o “carisma” do presidente brasileiro.
Oposição minimiza encontro
Parlamentares ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro reagiram ao encontro destacando declarações de Trump em que o norte-americano elogia Bolsonaro, dizendo que “sempre gostou” do ex-presidente e que ele “passou por muita coisa”.
O deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) afirmou nas redes que Lula teria se incomodado com a menção ao pai e questionou o teor da conversa reservada. Outros aliados, como Hélio Lopes (PL-RJ) e Coronel Chrisóstomo (PL-RO), sugeriram que o petista “ficou desconfortável” e afirmaram que o encontro “não saiu como o esperado”.
O deputado Evair de Melo (PP-ES) chamou a reunião de “fiasco” e disse que não houve resultados concretos, enquanto Bibo Nunes (PL-RS) avaliou que Trump busca afastar o Brasil da China, mas “jamais cederá na pauta política”.
Presidentes do Congresso elogiam retomada do diálogo
A repercussão também chegou ao Legislativo. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), considerou o encontro “muito positivo” e defendeu o gesto de diálogo como “fundamental para fortalecer a relação entre as nações”. “O Congresso Nacional permanece atento e unido na defesa do diálogo e da diplomacia como caminhos para aproximar nossos povos”, afirmou.
Já o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), elogiou o reencontro entre os países. “Fico feliz em ver que o diálogo e a diplomacia voltam a ocupar o centro das relações entre Brasil e Estados Unidos. Quando líderes escolhem conversar, a História agradece”, disse.
Negociações em andamento
Durante o encontro, Lula pediu a revogação do tarifaço norte-americano e defendeu a retomada das exportações brasileiras. Após a reunião, Trump autorizou sua equipe diplomática a iniciar conversas com o governo brasileiro para discutir um novo acordo comercial.
A reunião, que aconteceu em um hotel na capital malaia, marcou o primeiro encontro direto entre os dois desde a volta de Lula ao poder e simbolizou a retomada das negociações diplomáticas entre Brasília e Washington.



