
O ministro do Interior da Venezuela, Diosdado Cabello, acusou na quarta-feira (3) os Estados Unidos de assassinatos extrajudiciais e sumários no mar, após o ataque com um drone contra uma lancha com supostos narcotraficantes.
O governo dos Estados Unidos afirmou que destruiu uma embarcação que supostamente pertencia ao grupo criminoso venezuelano Tren de Aragua e transportava drogas a partir da Venezuela.
— Assassinaram 11 pessoas sem nenhum julgamento. Eu pergunto se isso pode ser feito — disse Cabello, considerado o número dois do chavismo, em seu programa semanal de televisão. — Nenhuma suspeita de narcotráfico autoriza execuções extrajudiciais no mar.
— Não está claro, não explicaram nada, anunciam pomposamente ter assassinado 11 pessoas. Isso é muito delicado. E o direito à defesa? — insistiu. — Não há nada que sustente a acusação.
A operação militar representou uma escalada nas ações dos Estados Unidos, depois que Trump assinou uma ordem executiva que autoriza o uso do Exército contra os cartéis do narcotráfico. O presidente venezuelano Nicolás Maduro declarou estado de alerta máximo diante do que ele chama de ameaça militar dos Estados Unidos.
O chavismo afirma que as ações de Washington no Caribe buscam uma mudança de regime na Venezuela.
— O que sempre tentaram — disse Cabello. — Acabar com a revolução bolivariana, com mentiras, com fake news. A última coisa que inventaram foi um ataque.
O ministro anunciou exercícios militares da Milícia Bolivariana na quinta (4) e sexta-feira (5). A milícia é o quinto componente das Forças Armadas, integrada por civis e com grande carga ideológica.


