
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou, nesta quarta-feira (6), um decreto que adiciona 25% às tarifas cobradas sobre produtos indianos "em resposta à compra contínua de petróleo russo". A medida foi anunciada pela Casa Branca em uma das suas contas do X.
A tarifa extra, que começará a valer em três semanas, se soma a outra de 25%, que entra em vigor nesta quinta-feira (7), segundo o decreto.
Com a nova medida, a tarifa total aplicada aos produtos da Índia chegará a 50%, o mesmo percentual adotado contra o Brasil — os dois países passam a ser os únicos a enfrentar esse nível de taxação, a mais alta imposta pelos Estados Unidos até agora.
A decisão do presidente norte-americano, inclusive, acende o alerta para o Brasil, que também faz comércio com Moscou.
A nova sanção, no entanto, não será imposta aos bens sujeitos a tarifas específicas como o aço e o alumínio e sobre produtos farmacêuticos, uma indústria importante na Índia.
A publicação do decreto freou a progressão dos preços do petróleo, que ainda seguem em alta. Essa medida tem como objetivo reduzir a capacidade de Moscou para financiar a guerra na Ucrânia, que o decreto qualifica como "uma ameaça incomum e extraordinária para a segurança nacional e para a política externa dos Estados Unidos".
"Estimo que impor tarifas (...) além das outras medidas tomadas para responder à emergência nacional será mais eficaz para gerenciar essa ameaça", acrescenta Trump no decreto.
Índia justifica
Depois da China, a Índia é o principal comprador de petróleo russo, que em 2024, representou cerca de 36% das importações indianas de petróleo, frente a aproximadamente 2% antes da guerra, segundo dados do Ministério do Comércio indiano.
Nova Delhi justifica sua dependência do petróleo russo, explicando que os "fornecedores tradicionais foram desviados para a Europa após a eclosão do conflito" na Ucrânia, quando os países europeus buscavam alternativas aos hidrocarbonetos russos.
Além disso, as sanções ocidentais, em particular o preço máximo imposto ao petróleo russo, o tornaram ainda mais atrativo para as empresas indianas, que economizaram bilhões de dólares em custos de importação.

