
A partir de sexta-feira, 1º de agosto, o mapa-múndi do comércio internacional terá um novo desenho. A data marca a entrada em vigor das novas tarifas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre produtos importados de diversos países — entre eles, o Brasil.
Enquanto algumas nações já firmaram acordos para atenuar os efeitos das novas taxas, outras ainda correm contra o tempo em busca de um acerto. É o caso do Brasil, que busca alternativas diplomáticas e comerciais para mitigar os impactos sobre setores estratégicos da economia.
Veja no mapa abaixo como ficam as tarifas dos países que já fizeram acordo com a Casa Branca e de quem ainda não conseguiu
Reino Unido - 10%
Em maio, Donald Trump e o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, fecharam um acordo impondo uma tarifa de 10% sobre produtos do Reino Unido. Como contrapartida, o Reino Unido se comprometeu a reduzir barreiras não tarifárias para produtos americanos.
Vietnã - 20%
Em 2 de julho, Washington e Hanói assinaram um acordo que prevê a redução das tarifas americanas sobre exportações vietnamitas de 46% para 20%. A alíquota mais alta será mantida apenas para produtos classificados como transbordo — aqueles que apenas transitam pelo Vietnã, mas têm origem em outros países.
Como contrapartida, o presidente Donald Trump anunciou que o Vietnã concederá “acesso total” ao seu mercado interno e isentará de tarifas todos os produtos importados dos Estados Unidos. O acordo é visto como mais um passo na estratégia americana de fortalecer laços com países do Sudeste Asiático, em meio à crescente rivalidade com a China.
Indonésia - 19%
Em 15 de julho, a Indonésia assinou um acordo com os EUA para reduzir tarifas comerciais. As taxas americanas sobre produtos indonésios caíram de 32%, como anunciado em abril, para 19%.
Em troca, o país asiático se comprometeu a zerar tarifas sobre mais de 99% de seu comércio com os Estados Unidos e a eliminar barreiras não tarifárias. A Indonésia também se comprometeu a comprar cerca de US$ 15 bilhões em produtos dos EUA nos próximos dois anos.
Japão - 15%

No dia 22 de julho, Washington anunciou a redução das tarifas sobre produtos japoneses de 25% para 15%. Em contrapartida, o governo japonês concordou em abrir seu mercado para a entrada de carros e arroz americanos, além de investir US$ 500 bilhões em território norte-americano.
“Acabamos de fechar um acordo maciço com o Japão”, escreveu Trump em sua plataforma Truth Social. No entanto, o aço e o alumínio japoneses ficaram de fora do entendimento e continuam sujeitos à tarifa anterior, de 25%.
Filipinas - 19%
As Filipinas conseguiram baixar as tarifas americanas de 20% para 19%. Como contrapartida, o governo filipino se comprometeu a zerar todas as taxas aplicadas a produtos dos Estados Unidos.
"Concluímos nosso acordo comercial, pelo qual as Filipinas caminham rumo a um MERCADO ABERTO com os Estados Unidos", disse Trump em sua plataforma Truth Social após receber na Casa Branca seu par filipino, Ferdinand Marcos.
Washington impõe tarifas às Filipinas apesar das relações de defesa cada vez mais estreitas entre os Estados Unidos e o país asiático, um ex-território americano que antes foi colônia espanhola.
União Europeia - 15%

No último domingo, Trump anunciou um acordo com a União Europeia, após encontro com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, em Turnberry, na Escócia. O republicano classificou o acerto como “o maior acordo de todos os tempos”.
A nova tarifa, de 15%, representa uma diminuição significativa em relação aos 30% que estavam sendo praticados anteriormente. Segundo Trump, o acordo foi selado após um anúncio de que o bloco europeu concordou em gastar US$ 750 bilhões do setor de energia e investir US$ 600 bilhões nos Estados Unidos.
— O acordo irá reequilibrar, e possibilitar o comércio para ambos os lados — disse Ursula von der Leyen.
Segundo von der Leyen, o bloco europeu aceitou os 15% em quase todos os setores, com exceção de produtos farmacêuticos e semicondutores, que ainda poderão ser alvo de tarifas punitivas.
Países sob risco de aumento de tarifas
Brasil
Em 9 de julho, o presidente Donald Trump anunciou uma tarifa adicional de 50% sobre produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos. Além disso, o governo americano abriu uma investigação formal contra o Brasil por práticas comerciais consideradas desleais, com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA.
A decisão foi comunicada por meio de uma carta publicada na rede Truth Social, na qual Trump criticou o governo brasileiro pelo tratamento dado ao ex-presidente Jair Bolsonaro. O presidente também alertou que qualquer retaliação por parte do Brasil resultará em novas tarifas, proporcionais à taxa de 50%.
O Brasil tenta evitar o agravamento da crise. O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Geraldo Alckmin, revelou ter conversado com o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, e propôs dobrar a relação bilateral nos próximos cinco anos. Uma missão de senadores brasileiros também está nos EUA para tentar destravar as negociações.
Incertezas e pressões diplomáticas
Apesar dos esforços, o cenário segue incerto. Trump afirmou que países que não firmarem acordos até 1º de agosto poderão enfrentar tarifas de até 15%, mas não esclareceu se o Brasil está incluído. A expectativa do setor empresarial é que o governo consiga ao menos adiar a entrada em vigor das tarifas, mas essa possibilidade perdeu força após Trump declarar que não haverá novas negociações antes da data-limite.
Além da questão comercial, os EUA devem insistir em um acordo para o fornecimento de materiais críticos e estratégicos, como lítio, nióbio e terras raras — insumos essenciais na disputa com a China.
Empresários estão preocupados com a possibilidade do Brasil retaliar os Estados Unidos adotando sobretarifas aos produtos americanos.
China, um capítulo à parte

Principal rival comercial dos EUA, a China firmou uma trégua tarifária com Washington após uma escalada que levou os EUA a aplicarem tarifas de até 145% sobre produtos chineses em abril. O acordo, firmado em maio, estabeleceu uma tarifa-base de 30% — válida até 12 de agosto — e deve ser prorrogado por mais 90 dias. Em resposta, Pequim impôs tarifas de 10% sobre produtos americanos. Trump alertou que, sem novo acordo, as tarifas podem voltar a subir, embora em patamar inferior ao anterior. A expectativa é que os países voltem a se reunir na próxima semana.
Países vizinhos
Parceiros comerciais históricos dos EUA, Canadá e México também podem enfrentar novas tarifas a partir de sexta-feira. Os percentuais seriam de 35% para produtos canadenses e 30% para mexicanos que não estejam contemplados pelo Acordo EUA-México-Canadá (USMCA).
