
Senadores democratas dos Estados Unidos anunciaram, nesta quinta-feira (31), intenção de apresentar uma "resolução privilegiada" para desafiar as tarifas impostas pelo presidente norte-americano, Donald Trump, para as importações brasileiras, segundo comunicado conjunto. A manobra pode forçar prioridade à pauta na fila de votação na casa.
"Em uma ordem executiva emitida ontem, Trump invocou a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA) para impor as tarifas. Qualquer senador pode desafiar o uso da IEEPA com uma resolução privilegiada, como a que os legisladores apresentarão. Isso significa que o Senado será obrigado a votar a legislação", explicam Jeanne Shaheen, Tim Kaine, Chuck Schumer e Ron Wyden no texto.
Os senadores citam que a alíquota de 50% contra o Brasil aumentará os custos para os norte-americanos em produtos domésticos básicos, prejudicará as economias de ambos os países e pode aproximar o Brasil da China.
"O presidente Trump não tem interesse em reduzir os custos para o povo americano. Se tivesse, não estaria impondo tarifas e iniciando guerras comerciais sem sentido. É por isso que vamos apresentar uma legislação para desafiar essas tarifas imprudentes contra o Brasil", afirmam.
De acordo com a nota, os democratas indicam que a ação do republicano é "em resposta às medidas que o Brasil está tomando para responsabilizar o amigo de Trump e ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro por tentar um golpe", que classificam como "violento".
Senadoras criticam sanções a Moraes
Em outra frente, as senadoras democratas Elizabeth Warren e Jeanne Shaheen divulgaram nesta quinta, uma declaração criticando as sanções impostas pelo governo Trump ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
Em comunicado, as parlamentares afirmam que "é absurdo que o governo Trump tenha acabado de sancionar um juiz da Suprema Corte brasileira em exercício usando o programa de sanções financeiras dos EUA destinado a lidar com 'graves abusos de direitos humanos' em todo o mundo".
As senadoras afirmam que a ação é um "abuso de uma ferramenta crítica da política externa" contra um juiz que "supervisiona o julgamento de um ex-presidente acusado de planejar um golpe para minar os resultados de uma eleição democrática no Brasil".
"E essa medida se soma à imposição, pelo presidente Trump, de uma tarifa de 50% ao Brasil pela mesma suposta causa, o que significa que os americanos terão que pagar mais por carne bovina, café e outros produtos essenciais em um momento em que os preços já estão muito altos", afirmam.
"Como a busca por um sistema judicial independente na quarta maior democracia do mundo torna os Estados Unidos mais seguros, fortes ou prósperos? Este é mais um exemplo de como o presidente Trump prioriza seus interesses e os de seus aliados políticos em detrimento dos interesses do povo americano", conclui a declaração.



