
O acordo comercial entre a União Europeia e os Estados Unidos, fechado neste final de semana, divide opiniões no continente europeu. Existem posições contrárias, desconfiadas e há quem celebre.
O primeiro-ministro da França, François Bayrou, criticou nesta segunda-feira (28), o acerto comercial. Donald Trump e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, estabeleceram uma taxa de 15% sobre os produtos europeus — antes seria 30%.
"É um dia sombrio quando uma aliança de povos livres, reunidos para afirmar seus valores e defender seus interesses, resolve se submeter", disse Bayrou, em sua conta na rede social X.
O presidente do instituto alemão Ifo, Clemens Fuest, afirmou que o acordo "é uma humilhação" para o bloco, em postagem feita no X. Segundo ele, a negociação "reflete o desequilíbrio de poder".
"Os europeus precisam acordar, se concentrar mais na força econômica e reduzir sua dependência militar e tecnológica dos EUA", escreveu. "Só então poderão renegociar", acrescentou.
A associação da indústria alemã VDMA, que representa mais de 3,6 mil empresas do setor, instou a União Europeia (UE) e os Estados Unidos a lidarem com o acordo "não como um 'novo normal'". A organização menciona que a negociação deve ser vista "como uma reviravolta no impasse causado pela escalada de tarifas", em comunicado publicado nesta segunda-feira.
"Este acordo assimétrico reflete o atual equilíbrio de poder e dependências", pontua. "A UE deve agora fortalecer consistentemente sua competitividade, expandir o mercado interno, aumentar sua independência em defesa e matérias-primas, se afirmar como um espaço econômico aberto e de direito entre iguais e concluir acordos comerciais com novos parceiros", acrescenta o texto.
Manifestações de apoio
O chanceler alemão, Friedrich Merz, saudou o acordo, dizendo que o pacto "evita uma escalada inútil nas relações comerciais transatlânticas".
"Também conseguimos preservar nossos interesses fundamentais, embora eu preferisse mais alívio no comércio transatlântico", afirmou em um comunicado.
Os Estados Unidos são o maior parceiro comercial da Alemanha.
"Este acordo evita um conflito comercial que teria impactado duramente a economia alemã", acrescentou Merz.
Ele se mostrou tranquilo em relação à indústria automotiva, "onde as tarifas atuais, de 27,5%, serão quase reduzidas pela metade, passando a 15%". "Nesse setor, a rápida redução das tarifas é de importância crucial", comentou.
Além do setor automotivo, pilar da indústria alemã, os setores de química e máquinas dependem particularmente das exportações para os Estados Unidos.
A Itália disse que o acerto põe fim a uma fase de incerteza e evita uma guerra comercial, mas mostrou-se cautelosa enquanto aguarda mais detalhes.
"O acordo entre a UE e os Estados Unidos põe fim a uma fase de incerteza e evita uma guerra comercial. Vamos analisar todos os detalhes", escreveu no X Antonio Tajani, chefe da diplomacia italiana.
Em declarações à imprensa durante uma visita à Etiópia, a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, disse que "considera positivo que haja um acordo", mas apontou: "Enquanto não vir os detalhes, não posso formular uma opinião mais ampla".
A Itália depende fortemente das exportações de sua indústria, que representa cerca de um quarto de seu Produto Interno Bruto (PIB).


