
A reivindicação uruguaia sobre um território no Rio Grande do Sul foi tema de uma reportagem da TV local em junho. O assunto voltou à tona após o Ministério das Relações Exteriores do Uruguai enviar um comunicado oficial à diplomacia brasileira afirmando não ter sido informado sobre as obras no Parque Eólico Coxilha Negra em Santana do Livramento, na Fronteira Oeste.
A equipe do noticiário Telemundo, da emissora Teledoce, de Montevidéu, foi até o local e ouviu autoridades, especialistas e moradores da região.
— Escutem isto com atenção, porque o Brasil construiu e segue construindo um parque eólico em um território que o Uruguai reclama como próprio — anuncia o jornalista Aldo Silva, âncora do telejornal.
Veja a reportagem da TV uruguaia:
Um especialista em direito internacional consultado pela reportagem da emissora local defende que o Uruguai deve enviar uma nota diplomática com seus argumentos para tentar "recuperar a soberania" sobre o território.
— O Uruguai deveria ter formulado um protesto dizendo que, até que não se definam devidamente os limites correspondentes, não corresponde que o governo brasileiro tome esse tipo e medida — comenta o jurista uruguaio Edison González Lapeyre.
O que dizem os uruguaios
O território é chamado de Rincón de Artigas pelos uruguaios. No Google Maps, o local aparece tracejado, como uma zona em disputa internacional, conforme observa a coluna de Rodrigo Lopes.
Na avaliação da diplomacia uruguaia, o território de 25 mil hectares onde foi construída a usina eólica foi demarcado de forma errada em torno do ano de 1850.
Na ocasião, o Arroio da Invernada teria sido confundido com o Arroio Maneco, provocando o erro na demilitação dos dois países. Contudo, as autoridades uruguaias só reclamaram o território na década de 1930.
O Brasil, por sua vez, afirma ter a posse do local. Em 1985, durante a ditadura militar, foi fundada uma comunidade, a Vila Albornoz, para reforçar a presença brasileira no espaço.
A reportagem do canal Teledoce pontua que os planos de construção de uma usina eólica brasileira no local surgiram ainda em 2011, mas que os governos de Dilma Rousseff e de José Mujica deixaram os avanços em "stand by". O parque eólico começou a operar em 2024.
"Tem que aceitar"
Também ouvido pela Teledoce, o prefeito da localidade uruguaia de Tranqueras, Luciano Viera, diz não acreditar na possibilidade de o país recuperar o território e vê com bons olhos a presença do Brasil no local.
— Não vai ter nunca uma solução. Creio que sempre vai ser do lado brasileiro. E, para cá, para nós, fica bem. Ter o Brasil muito perto também é importante para nós. Há uma boa relação com o Brasil e acredito que tem que aceitar que (o território) seja parte brasileira — afirma.
Entre a população entrevistada pelo canal, o tema não parece ser preocupante.
— Eu não sei explicar muito e não entendo muito. Só sei que falam desse protesto — comenta uma uruguaia,
— Nós aqui não temos pátria. Nós precisamos do Uruguai, o Uruguai precisa de nós. Um ajuda o outro — afirma um brasileiro.



