Na noite desta quinta-feira (5), "a Torre Eiffel veste as cores do Brasil", escreveu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas redes sociais junto com fotos ao lado do presidente da França, Emanuel Macron, da primeira-dama francesa, Brigitte Macron, e da primeira-dama brasileira, Rosângela da Silva, a Janja.
Lula está em viagem ao país europeu com o objetivo de estabelecer uma nova fase na relação entre os países.
— Esta visita de Estado é a primeira que um mandatário brasileiro faz à França em 13 anos. Algumas vertentes do relacionamento bilateral se enfraqueceram nesse período, como o diálogo político e o comércio. Minha presença aqui em Paris consolida essa reaproximação — destacou o presidente brasileiro.
Agenda de Lula na França
Nesta quinta-feira, a agenda do presidente teve início com uma recepção oficial na Esplanada dos Inválidos, com uma cerimônia de boas-vindas, seguida por uma reunião com Emmanuel Macron e de declaração conjunta à imprensa no Palácio do Eliseu.
Durante a tarde, Lula recebeu uma homenagem da Academia Francesa, teve uma reunião com a prefeita de Paris, Anne Hidalgo e conversou com integrantes da comunidade brasileira na França. No início da noite, participou de jantar de Estado oferecido pelo governo francês.
Apelo para acordo entre Mercosul e União Europeia
Mais cedo, o líder do Executivo brasileiro apelou a Macron para que apoie a conclusão do acordo entre Mercosul e União Europeia.
— Abra o seu coração para a possibilidade de fazer esse acordo com o nosso querido Mercosul — disse Lula.
— Essa é a melhor resposta que nossas regiões podem dar diante do cenário de incertezas criado pelo retorno do unilateralismo e do protecionismo tarifário — completou o presidente do Brasil.
Já o presidente francês disse que isso poderia representar um risco aos agricultores franceses, mas que é favorável a negociações.
— França defende o comércio livre e justo, então somos favoráveis à negociação desses acordos. Esse acordo no momento estratégico é bom para muitos setores, mas traz risco para agricultores de países europeus — afirmou.
O acordo comercial UE-Mercosul, ao qual a França se opõe em "sua forma atual", será debatido durante a visita. Na quarta-feira (4), os profissionais do setor agrícola pressionaram e exigiram que Macron reafirme sua rejeição diante de Lula.
A França lidera o grupo de países europeus que questionam a assinatura do acordo, mas a pressão cresce no bloco para aprová-lo como uma medida que pode aliviar o impacto das tarifas de Trump. Uma carta que o Brasil tenta jogar.
Parceria cultural
Conforme o governo federal, o novo Acordo de Cooperação Cultural entre Brasil e França será assinado nesta sexta-feira (6), durante a continuação da visita de Estado.
O documento atualiza o tratado original de 1948, prevendo ações conjuntas nas áreas de patrimônio, artes, audiovisual, livro, formação, economia criativa e direitos culturais.
A proposta é ampliar o intercâmbio cultural entre os dois países e promover políticas inclusivas, sustentáveis e inovadoras no setor, segundo o governo.


