
Trinta e nove quilômetros de largura. Essa é a medida que o mundo observa com apreensão. Localizado entre o Irã e Omã, o Estreito de Ormuz, que conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Mar Arábico é considerado o corredor comercial marítimo mais importante do mundo para navios petroleiros.
Todos os dias passam pelo estreito, em média, 20 milhões de barris de petróleo e derivados – aproximadamente 20% do consumo mundial. Além disso, 20% do transporte marítimo mundial e uma grande quantidade de gás natural liquefeito circulam pela hidrovia.
O ponto mais estreito da passagem se situa entre o Irã, ao norte, e Omã, ao sul. Considerando-se as águas territoriais dos dois países, a área navegável fica reduzida a apenas três quilômetros de largura.
Guerra e fechamento do estreito
Em retaliação ao ataque americano a instalações nucleares do país, o parlamento iraniano aprovou o fechamento do Estreito de Ormuz, medida que, se efetivada, gerará consequências econômicas em escala mundial, como uma disparada no preço do barril de petróleo e da energia. Navios petroleiros foram orientados por agências marítimas a redobrar a cautela na região. Para o fechamento, em tese, ainda é preciso a chancela do Conselho de Segurança do país e de seu "líder supremo", o aiatolá Khamenei.

Patrulhas navais dos Estados Unidos e do Reino Unido operam no Golfo Pérsico para garantir a liberdade de navegação. Portanto, qualquer tentativa real de fechamento do estreito por parte do Irã poderia desencadear uma resposta militar direta.
De acordo com a Administração de Informação de Energia dos Estados Unidos (EIA), a região é considerada “o ponto de estrangulamento de petróleo mais importante do mundo”. Isso porque não há rotas alternativas viáveis para o transporte de petróleo e de GNL, tornando o fluxo extremamente vulnerável.
O caminho do petróleo
Cinco integrantes da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) — Arábia Saudita, Irã, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Iraque — utilizam a rota. O Qatar, principal exportador de gás natural liquefeito, envia quase todo o seu produto por Ormuz. Os navios viajam com destino aos Estados Unidos, Europa Ocidental e sobretudo, China, Índia e Japão.
A EIA estima que 82% do tráfego de petróleo e gás que passa por Ormuz tem a Ásia como destino. Isso significa que China, Índia, Japão e Coreia do Sul, que juntos somam 70% do total, seriam os mais afetados.

Quem controla a passagem
Boa parte do estreito fica localizado na costa do território iraniano. Omã e os Emirados Árabes são responsáveis pela parte sul, pelo mesmo motivo.
Presença dos EUA
Os Estados Unidos são os responsáveis por proteger a navegação comercial. A região é monitorada pela 5ª Frota da Marinha americana, com base no Bahrein. Os Estados Unidos montaram ainda uma estação de radar, instalada para monitorar o tráfego Esquema de Separação de Tráfego (TSS).

O que é o Estreito de Ormuz
No Oriente Médio, o Estreito de Ormuz está situado na entrada do Golfo Pérsico, entre Omã, localizado na Península Arábica e o Irã. Ao norte, está a costa do Irã; ao sul, ficam os Emirados Árabes Unidos (EAU) e um enclave pertencente a Omã.
A origem do nome
Algumas publicações dizem que o estreito é chamado assim em razão do deus persa Ormoz. No entanto, outros historiadores sustentam que o nome é proveniente de uma palavra persa local Hur-mogh.
A origem do Estreito de Ormuz
Em 1959 o Irã resolveu expandir o mar territorial para 12 milhas náuticas (22 quilômetros), anunciando que reconheceria apenas o trânsito de passagem inocente (passagem considerada contínua e rápida, constituída pelo direito costumeiro internacional). Omã fez o mesmo em 1972.
Com isso, os navios precisavam passar pelas águas territoriais dos dois países sob as disposições da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (UNCLOS). Em 1989, a UNCLOS foi instituída pela Omã, declarando que apenas passagem inocente era permitida por seu mar territorial.
Rotas alternativas
Os países da região possuem algumas rotas alternativas para o escoar a produção de petróleo caso ocorra algum bloqueio. Os Emirados Árabes Unidos têm um gasoduto que liga Abu Dhabi diretamente ao Golfo de Omã. A Arábia Saudita possui um oleoduto que pode levar o petróleo do Golfo Pérsico ao Mar Vermelho.
No entanto, a EIA estima que o volume capaz de contornar um eventual bloqueio seria de 2,6 milhões ao dia, pouco mais de 10% da quantia total que passar por Ormuz, ao redor de 20 milhões ao dia.


