
Autoridades da Casa Branca tentaram restringir o acesso à transcrição da ligação por telefone entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente da Ucrânia, Vladimir Zelenski, conforme denúncia apresentada nesta quinta-feira (26). Na conversa entre os mandatários, o norte-americano solicitou ajuda ao ucraniano para prejudicar um rival nas eleições presidenciais de 2020.
A publicação do documento com a transcrição aumenta a pressão sobre o presidente norte-americano, contra quem os democratas abriram, na terça-feira (24), um inquérito de impeachment.
No Twitter, em letras maiúsculas, Donald Trump pediu aos republicanos que "lutem". "O futuro do país está em jogo", acrescentou o bilionário ao que chamou de "a pior caça às bruxas da história dos Estados Unidos". A Casa Branca, por sua vez, prometeu resistir à "histeria e falsas narrativas" dos democratas depois que foram divulgados os detalhes do relatório do denunciante.
"Nada mudou com a publicação deste relatório, que nada mais é que uma compilação de relatos de terceiros de eventos e recortes de imprensa improvisados", disse a porta-voz de Trump, Stephanie Grisham. "A Casa Branca continuará resistindo à histeria e falsas narrativas que os democratas e muitos dos principais meios de comunicação propagam", completou em um comunicado.
A crise foi provocada pelo telefonema, em 25 de julho, entre Trump e Zelenski. Durante a conversa, o norte-americano pediu ao colega que investigasse se o ex-vice-presidente Joe Biden obstruiu investigações sobre seu filho — Hunter Biden. O democrata Joe Biden é um dos favoritos nas eleições de 2020.
"Recebi informações de vários funcionários do governo norte-americano de que o presidente dos Estados Unidos está usando o poder de seu cargo para solicitar a interferência de um país estrangeiro na eleição americana de 2020", escreveu o denunciante, membro do serviço de inteligência e que não teve a identidade revelada, em seu relatório publicado pelo Congresso.
Ainda, ele afirmou que funcionários da Casa Branca ficaram preocupados em relação à gravidade da conversa entre Trump e Zelenski, acrescentando que lhe disseram que provavelmente haviam "testemunhado como o presidente abusava de seu cargo para obter benefícios pessoais".
"Nos dias seguintes à ligação, soube através de vários funcionários americanos que autoridades da Casa Branca agiram para 'bloquear' todos os arquivos vinculados" à ligação, disse. "Esse conjunto de ações enfatizou que as autoridades da Casa Branca entenderam a seriedade do que aconteceu na chamada", acrescentou.
"Os funcionários da Casa Branca me disseram que foram 'orientados' pelos advogados da Casa Branca a eliminar a transcrição eletrônica do sistema de computador, já que essas transcrições são normalmente armazenadas para coordenação, conclusão e distribuição feitas por funcionários que trabalham diretamente com o gabinete (presidencial)", relatou o agente.
Questionado nesta quinta-feira no Congresso, o diretor de Inteligência Nacional (DNI), Joseph Maguire, que havia bloqueado a divulgação deste relatório, disse que não conhecia a identidade do denunciante. Para o secretário de Estado americano Mike Pompeo, "todas as ações diplomáticas americanas com a Ucrânia foram inteiramente apropriadas".




