
A Suíça poderá tornar realidade um projeto que busca fazer com que a população receba uma quantia mensal mesmo sem trabalhar. A ação é impulsionada por um grupo sem ligação com partidos políticos.
Com o objetivo de instaurar uma renda de base incondicional (RBI), a iniciativa será votada no próximo domingo. Os apoiadores da RBI lançaram uma arrecadação de fundos na internet para pagar 2,5 mil francos suíços (US$ 2.533 dólares ou cerca de R$ 9 mil) ao mês durante um ano a uma pessoa escolhida por sorteio, no qual Carole, formada em etnologia, foi a primeira ganhadora.
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A iniciativa propõe também que estrangeiros residentes há pelo menos cinco anos no país devem receber do Estado um subsídio mensal, sem levar em conta se a pessoa trabalha.
- É um sonho que existe há tempos, mas que se tornou indispensável devido ao desemprego provocado pela crescente automatização - explicou Ralph Kundig, um dos líderes do projeto.
Doutor em Economia, o ministro suíço do Interior, Alain Berset, acredita, no entanto, que a ideia representa "algo utópico". A seu lado, o governo, o Parlamento e os partidos políticos, exceto os Verdes e a extrema esquerda, opõem-se à proposta de uma RBI.
- É um sonho antigo, um pouco marxista. São muitos sentimentos bons irrefutáveis, mas sem nenhuma reflexão econômica - observou o diretor do Centro Internacional de Estudos Monetários e Bancários de Genebra, Chrles Wyplosz.
Para Wyplosz, se a relação entre a remuneração e o trabalho acabar, "as pessoas farão menos". Já a enfermeira Pascale Eberle, 55 anos, explicou que a RBI pode "oferecer a possibilidade aos nossos netos de terem outra vida".
A quantidade de receita e seu financiamento devem ser definidos pelo Parlamento. A iniciativa sugere uma mensalidade de 2,5 mil francos suíços (US$ 2.533 ou R$ cerca de R$ 9 mil) para os adultos - valor com o qual é muito difícil viver - e de 625 francos (US$ 634 ou R$ 2,3 mil) para as crianças.
No total, trata-se de desembolsar 208 bilhões de francos suíços para todo o país, segundo as autoridades, que precisarão encontrar uma fonte de financiamento suplementar para cerca de 25 bilhões de francos, "o que representará a aplicação de cortes drásticos ou de um aumento dos impostos".
Os defensores da iniciativa sugerem eliminar as ajudas e os seguros médicos ou criar um imposto sobre as transações eletrônicas. Para os Verdes, a RBI garante um "mínimo vital", uma vantagem para os empregados, que poderão resistir melhor à pressão do mercado de trabalho e rejeitar condições trabalhistas deploráveis.
O diretor-geral da Organização Internacional do Trabalho (OIT, uma agência da ONU), Guy Ryder, não chegou a se posicionar, mas reconheceu que a transformação no longo prazo do mundo trabalhista levará as sociedades a "encontrar meios de distribuição de receitas nacionais que não estejam diretamente relacionados ao trabalho ou ao salário".
No entanto, acredita-se que a proposta não sairá do papel no país, já que 71% da população suíça se mostrou contrária à proposta na última pesquisa realizada pelo Instituto GfS Berne.
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