Europa

Em derrota para Salvini, partidos chegam a acordo para formar governo na Itália

Movimento 5 Estrelas e Partido Democrata definiram colocar Giuseppe Conte de volta ao cargo de primeiro-ministro, o que deve ser definido pelo presidente italiano na quinta-feira

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Conte havia renunciado do cargo após colapso do governo populista italiano entre o M5S e a Liga

O Movimento Cinco Estrelas (M5S) e o Partido Democrata (PD) da Itália chegaram a um acordo nesta quarta-feira para formar uma nova coalizão e evitar eleições na terceira maior economia da zona do euro. O M5S informou que a coalizão seria liderada pelo atual primeiro-ministro, Giuseppe Conte, que renunciou depois do colapso do governo populista italiano entre o M5S e a Liga Nord no começo deste mês.

O líder do M5S, Luigi Di Maio, anunciou o acordo na saída de um encontro com o presidente Sergio Mattarella.

O novo governo será liderado por Conte, o que "será uma garantia para o M5S", informou Luigi Di Maio. Ele criticou seu ex-aliado Matteo Salvini por ter "rompido a corrente" no começo de agosto da coalizão que formavam há 14 meses e deixado "60 milhões de italianos sem governo".

O presidente Sergio Mattarella não confiou de imediato o mandato a Conte e um porta-voz anunciou nesta noite a "convocatória para as 9h30min (em horário local) de quinta-feira (29)". É provável que Conte seja então oficialmente encarregado de formar governo.

No sistema político italiano, é necessário submeter ao presidente uma lista de ministros e obter a confiança de duas câmaras do parlamento. O M5S foi a última legenda a ser recebida pelo presidente na quarta-feira, após dois dias de consultas.

Após negociações durante a noite, cancelamentos, discussões e reconciliações, o M5S e o PD têm uma reunião programada para discutir um programa comum e a divisão de ministério. 

Crise provocada por ruptura da coalizão

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Matteo Salvini, líder do partido de direita Liga

Há três semanas a Itália vive uma crise inédita, primeiro pela decisão de Matteo Salvini, líder da Liga, de romper em 8 de agosto a coalizão de governo que formava com o M5S

Depois, em 20 de agosto, aconteceu a renúncia do primeiro-ministro Giuseppe Conte, que acusou Salvini de "priorizar seus interesses eleitorais", ao invés dos interesses do país. Salvini tinha intenções de voto de 36/38%, que caíram para 31/33%.

O presidente Mattarella iniciou na terça-feira (27) uma segunda rodada de consultas com a classe política, que deve terminar nesta quarta-feira (28).

A ideia de uma aliança entre PD e M5S foi apresentada pelo ex-primeiro-ministro Matteo Renzi, com os objetivos básicos de reduzir o número de parlamentares e estabelecer um orçamento de 2020 capaz de evitar o aumento do Imposto sobre Valor Agregado (IVA), um dos que mais atinge os consumidores. Desde então, o projeto cresceu e passou a incluir propostas dos dois lados para estimular o apático crescimento econômico italiano com uma atenção especial aos desfavorecidos e ao meio ambiente, assim como com medidas de austeridade no Parlamento.

A grande discussão ficou por conta da divisão de ministérios. O PD retirou o veto à permanência de Giuseppe Conte como primeiro-ministro, mas sem uma declaração oficial. O M5S pressionou na terça-feira para obter uma aprovação formal à manutenção de Conte, que tem uma grande popularidade no país.

Contra todos os prognósticos, o presidente dos Estados Unidos Donald Trump expressou apoio a Conte, que chamou de "homem de muito talento" e que "representou a Itália com força no G7".

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