Não é de hoje que os animais de estimação passaram a ocupar um lugar de destaque nas famílias. E, como verdadeiros membros do lar, garantir sua qualidade de vida e manter a saúde em dia exige planejamento financeiro.
Adotar um pet significa assumir despesas contínuas — muitas vezes crescentes ao longo do tempo — por um período que pode variar de sete a 15 anos, dependendo da espécie, da raça, das características do animal e, claro, da sua saúde.
A família Pias é a prova de que um pet pode transformar a rotina financeira de uma casa. Cinco pessoas resolveram rachar as despesas de Aretha, uma sheepdog de 50 quilos.
O gasto mensal com a cadela de 11 anos inclui ração específica, plano de saúde, medicamentos para artrose, banhos semanais entre outros, contabiliza a família.
— Os custos são bem maiores do que eram há alguns anos, porque hoje ela é uma cadela idosa e demanda mais cuidado. Em média, gastamos de R$ 1,4 mil a R$ 2 mil por mês. O nosso principal gasto com ela é a ração, já que ela é alérgica às mais acessíveis — conta Camille Pias.

O exemplo de Aretha mostra o porquê do mercado pet ser tão aquecido. Segundo a Associação Brasileira das Empresas do Setor de Animais de Estimação, o setor faturou R$ 75,4 bilhões no Brasil em 2024, e os lares já somam, em média, 1,8 animal de estimação por residência, conforme o IBGE.
A professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e educadora financeira Wendy Carraro afirma que alguns gastos devem ser tratados como despesas fixas, já que são previsíveis.
— É essencial ter a categoria 'pet' no controle financeiro e, assim, incluir subcategorias como alimentação e plano de saúde — explica a professora.
A educadora financeira também diz que um dos erros mais comuns é acreditar que assinaturas vão tornar o custo mais baixo, pois às vezes elas podem dar uma falsa impressão de economia.
Às vezes, o fato de ter uma assinatura com descontos em produtos faz com que o consumidor acabe gastando mais em produtos que não são necessários. Essa é uma falsa economia, conforme a especialista.
O grande erro acontece quando contratamos sem fazer comparações; por isso, é fundamental fazer um planejamento. Outro erro muito comum é subestimar o custo total de ter um pet.
— Normalmente acham que é só comprar ração; esquecem que haverá vacina, vermífugo, consultas médicas, produtos... — diz a professora.
Cabe ressaltar que só a organização financeira não garante uma economia real de custos. A prevenção também é uma forma de redução de gastos futuros, como afirma a médica veterinária Claudia Krefta.
Quando acompanhamos o animal regularmente, conseguimos descobrir problemas que podem ser tratados em casa, sem necessidade de internação, o que normalmente sai muito mais caro.
CLAUDIA KREFTA
Veterinária
Ela reforça que o tutor que ignora as consultas de rotina corre o risco de precisar de atendimento de urgência — e os plantões acabam saindo até o dobro do preço, conforme a urgência.
Atenção aos check ups
A recomendação é que cães e gatos, a partir dos sete anos, façam exames de sangue e cardiológicos a cada seis meses ou, no mínimo, uma vez por ano.
— O tutor precisa lembrar que o pet vai envelhecer e que isso vai exigir exames e cuidados específicos. E mais custos também — alerta.
Outro ponto importante é conhecer a raça do animal. Algumas são predispostas a doenças específicas — boxers, por exemplo, têm maior incidência de problemas cardíacos —, golden retriever, por exemplo, com linfomas, e o tutor deve perguntar sobre esse histórico ao veterinário.
Já os vira-latas, apesar de geralmente mais resistentes, podem surpreender negativamente.
— Cada um é uma caixinha de surpresas — brinca a veterinária.
Em resumo, ter um pet exige não apenas amor, mas responsabilidade financeira. Pelo bem-estar dele e do nosso bolso.
10 dicas para encaixar o pet nas contas da família
- Crie uma categoria exclusiva para o pet: Separar esses gastos do restante do orçamento familiar é o primeiro passo para ter maior controle
- Divida os custos em subcategorias: Classifique as despesas entre custos fixos (como alimentação, banho e plano de saúde) e custos variáveis (como brinquedos e consultas de rotina)
- Tenha uma reserva de emergência complementar: Monte uma reserva financeira para imprevistos de saúde do animal, aumentando o valor se ele for idoso ou tiver condições médicas específicas
- Compare assinaturas e planos: Analise o custo-benefício de planos de saúde pet em relação a consultas particulares (levando em conta os períodos de carência e as coparticipações). Avalie se os clubes de assinatura de produtos realmente trazem economia
- Não subestime os gastos invisíveis: Lembre-se de incluir no planejamento despesas sazonais ou anuais, como vacinas, vermífugos, e a necessidade de hospedagem ou transporte para viagens
- Compare preços de medicamentos: As diferenças entre farmácias e pet shops podem ser significativas. Os valores por regiões e bairros podem ter diferenças
- Considere os gastos futuros antes de adotar outro pet: A máxima "onde cabe um, cabem dois" não se aplica ao orçamento
- Observe o que realmente é utilizado: Nem todo acessório ou brinquedo é necessário; evite gastos desnecessários
- Considere as particularidades da raça: Pesquise sobre o histórico genético e os cuidados específicos da raça do seu pet (ou do tipo físico dele) para antecipar possíveis gastos com saúde no futuro
- Prepare-se para a velhice do seu pet: Com o tempo, os gastos com consultas, exames e cuidados específicos tendem a aumentar
Produção: Caroline Goulart, estudante de jornalismo, sob orientação e supervisão de Caue Fonseca.
