
Uma investigação da Polícia Federal concluída nesta semana pode explicar, em parte, o salto súbito no número de eleitores em Riozinho, no Vale do Paranhana. O inquérito, aberto em 2025, aponta que cidadãos de cidades vizinhas foram pagos para transferir fraudulentamente seu domicílio eleitoral para a cidade. Outros venderam seus votos.
O político indiciado nesta etapa da investigação é o vereador Jonathan Ferreira (PL), o mais votado de Riozinho no pleito de 2024. Ele já tinha sido alvo de busca e apreensão em 2025, em tentativa da Polícia Federal de obter provas de pagamento de suborno para cidadãos fazerem transferências irregulares de títulos eleitorais.
O inquérito concluído na terça-feira (19) é do delegado Cicero Costa Aguiar, da Delegacia de Direitos Humanos e Defesa Institucional da PF. Depoimentos coletados apontam que o vereador organizou diversas transferências de domicílios eleitorais de municípios vizinhos para Riozinho. Três eleitores que aceitaram participar da fraude (já que não residiam na cidade) foram também indiciados por crimes eleitorais. Os indiciamentos são por compra de votos e uso de documento falso para fins eleitorais.
Em janeiro de 2025, reportagem do Grupo de Investigação da RBS (GDI) alertou para o esquema, ao entrevistar pessoas que confessaram ter recebido suborno para transferir seus títulos para Riozinho. Algumas admitiram que sequer conheciam o endereço declarado na cidade, apenas emprestaram o nome para simular residência ali e votar em candidato que lhes prometeu dinheiro. Três moradoras de municípios próximos declararam ter recebido R$ 250 cada para transferir o título e votar em candidatos daquela cidade.
Riozinho teve aumento de 14% no número de votantes entre 2020 e 2024. Atualmente, o município tem mais eleitores (4.537) do que habitantes (4.473), o que chama a atenção das autoridades, por ser considerado forte indício de irregularidade. Tanto que foram abertas duas investigações a respeito: uma ação na Justiça Eleitoral pedindo anulação da eleição majoritária e outra, por parte da Polícia Federal, para apurar crime de fraude e corrupção.
Apesar do indiciamento, o vereador continuará no cargo.
CONTRAPONTO
O que diz Jonathan Ferreira:
A reportagem contatou Jonathan Ferreira, que não respondeu ao pedido de entrevista. O advogado dele, Luciano Manini, disse em nota que "as conclusões da autoridade policial estão evidentemente equivocadas, desconsiderando a verdade dos fatos. O vereador exercerá sua defesa e ficará provado que não participou de nenhum ilícito. É uma construção realizada pela oposição, para denegrir a sua imagem".


