Quatro projeções basearam a justificativa de compra da nova frota de trens da Trensurb — adquirida em 2012 por R$ 244 milhões, recebida em 2014 e que nunca funcionou como deveria. Ao menos duas dessas projeções nunca se confirmaram, mostram os próprios números da empresa. A superintendência de expansão fundamentou os argumentos de necessidade de aumento da frota nos seguintes itens: evolução da demanda de passageiros de 2011 — data da elaboração do documento — até 2015, aumento do usuários devido a expansão da linha até Novo Hamburgo, integração total com os sistemas municipais e metropolitanos de transporte público da Região Metropolitana e desenvolvimento urbano e sócioeconômico da Região Metropolitana.
A Trensurb projetava que, de 2011 a 2015, a quantidade de passageiros/ano passaria de 49,8 milhões para 65,8 milhões. Porém, a demanda confirmada do período foi bem menor: passou de 50,9 milhões, em 2011, para 57,5 milhões, em 2015. Outro dado importante é que desde 2014 o número de passageiros vem caindo ano a ano: de 58,7 milhões passou para 55 milhões usuários transportados por ano em 2017.
A expectativa era de que a extensão da linha até Novo Hamburgo agregaria 30 mil passageiros a mais por dia. Dados da Trensurb mostram que o número de passageiros a mais chega a 19,5 mil por dia. Sobre a integração total com os sistemas municipais e metropolitanos de transporte público da região metropolitana, o setor de mobilidade da Trensurb informa que não possui estudos que comprovam que se ele realmente se confirmou ao longo do período.
A respeito do desenvolvimento urbano e socioeconômico da Região Metropolitana, o GDI consultou as prefeituras de Novo Hamburgo e São Leopoldo — cidades diretamente atingidas com a extensão da linha do trem. Embora não tenham estudos quantitativos, as duas prefeituras concordam que a passagem do trem por suas cidades contribuiu para o desenvolvimento econômico e social dos locais próximos à linha do trem.
