
Bombacha, chimarrão, fogo de chão e sapucay a cerca de 11 mil quilômetros do Rio Grande do Sul. Em uma propriedade rural nos arredores de Oslo, na Noruega, cerca de 170 gaúchos e gaúchas devem se reunir desta sexta-feira (11) até domingo (13) para a sétima edição do Acampamento Farroupilha Mais ao Norte do Mundo.
Organizado pelos Vikings de Bombacha, o encontro começou em 2020, quando 16 amigos se reuniram pela primeira vez. Desde então, virou uma tradição para gaúchos que vivem na Noruega e em outros países da Europa, além de ser uma oportunidade de manter vivos, mesmo longe de casa, costumes que levaram do sul do Brasil.
Com fogo de chão

Entre todas as tradições, uma das mais trabalhosas de reproduzir é justamente o assado campeiro.
— De todos os hábitos e costumes, certamente é o mais desafiador. Não só pela falta do "maquinário", mas também por ter que aguentar temperaturas negativas e a presença da neve. Mas gaúcho não se encolhe nem pra dormir, né meu "galo"? — brinca Herbert Meregalli, um dos fundadores dos Vikings de Bombacha e natural de Santo Antônio da Patrulha.
Durante o acampamento, neste mês de setembro, a temperatura é um pouco mais agradável, mas não faz calor.
— Teoricamente é verão, então não são temperaturas negativas nessa época do ano. Mas a previsão é que fique entre 6° e 15° agora no final de semana. O que pro verão é bem baixo — conta.
Mas os assados seguem em outros períodos do ano. Um dos eventos costuma ocorrer em novembro, com costelão 12 horas sendo preparado com neve e temperatura de -12°, lembra o gaúcho. O costume chama a atenção dos noruegueses.
Segundo Meregalli, já houve quem perguntasse qual animal estava sendo assado ao ver dois ou três costelões preparados ao mesmo tempo:
— Nunca tinham visto pedaços de carne tão grandes como aqueles.
De 16 amigos a 170 gaúchos

O acampamento cresceu a cada edição e também passou a reunir gaúchos que viviam em diferentes partes da Europa.
— São inúmeras histórias que se cruzaram ao longo do tempo e dali brotaram amizades, convívio e compartilhamento. Se há algo que podemos nos orgulhar após estes anos foi aflorar e resgatar o sentimento de pertencimento entre nós, gaúchos bandeados por aqui — afirma.
A convivência também aproximou as duas culturas. Há gaúchos e gaúchas casados com noruegueses, além dos chamados "filhos noruchos", como o grupo costuma brincar.
— Já tem vários amigos gaúchos casados com noruegueses, gaúchas casadas com noruegueses e os chamados “filhos noruchos”, metade gaúcho, metade norueguês. Então, essa mistura já está feita.
"É sempre sobre saudade"
Para o fundador, o acampamento mantém a essência dos primeiros encontros. A ideia nunca foi criar um Centro de Tradições Gaúchas (CTG), mas reunir amigos em torno das tradições gaúchas, que ganham ainda mais importância longe do RS.
— O que nos move é manter esse caráter comunitário, de amizade e de criar um pedacinho do Rio Grande, mesmo estando na Noruega. No fim das contas, é sempre sobre saudade. E sempre será.
*Sob orientação e supervisão da jornalista Juliana Lisboa




