
A canção que o símbolo maior do gauchismo, Paixão Côrtes, sempre escolhia para interpretar. O título é autoexplicativo: uma exaltação ao Estado — especialmente sua geografia. Uma composição que conclui que, por maior que seja o Rio Grande, caberá sempre dentro do peito.
Hino ao Rio Grande é a 8ª colocada na votação A Música do Rio Grande, em que 74 especialistas consultados por Zero Hora escolheram as canções que mais representam os gaúchos.
A série de reportagens multimídia está sendo publicada diariamente, até o dia 20 de setembro, com o objetivo de ajudar a preservar a memória dessas obras e de seus compositores, valorizando seus legados.
Veja nesta reportagem
Interpretações de Paixão Côrtes foram marcantes
Hino ao Rio Grande é uma composição de Simão Goldman (1947-1981), renomado arquiteto porto-alegrense que também foi autor de canções como Manifesto de um Piá, Gauchinha, Minuano e Chimarrão, entre outras.
A toada ganhou projeção graças ao cantor, compositor e folclorista Paixão Côrtes, que a gravou em seu disco homônimo lançado em 1970. Carlos Paixão, filho do artista, relata:
— Essa era a canção preferencial que meu pai elegia quando precisava realizar alguma participação musical em algum evento. Por esse motivo, essa toada ficou associada pelo público a ele. Porém, o pai tinha o cuidado de sempre destacar o autor quando tinha a fala.
Assista a vídeo sobre "Hino ao Rio Grande"
Emoção e amor pela terra
Ao longo das décadas, Hino ao Rio Grande foi regravada por diferentes nomes da música regional gaúcha, como Conjunto Farroupilha, José Cláudio Machado, Renato Borghetti, Os Fagundes e César Oliveira & Rogério Melo.
Aliás, a dupla considera a toada como uma das músicas mais importantes do cancioneiro gaúcho. Rogério tem uma lembrança afetiva da canção:
— Cantei Hino ao Rio Grande em um Encontro de Artes e Tradição Gaúcha (Enart) para o CTG Caiboaté, de São Gabriel. O ginásio em Santa Cruz do Sul veio abaixo. Foi uma emoção geral. Quando nós a regravamos, o sentimento foi o mesmo. A emoção e o amor pela nossa terra acabam aflorando bem mais forte.
Hino popular do RS
A dupla regravou a canção pela primeira vez para o disco Cancioneiro do Rio Grande do Sul, de 2017. Conforme César, os dois procuraram preservar a linha de arranjo original, mas trazendo também a própria identidade.
— Se você cantar Hino ao Rio Grande à capela, a música encanta do mesmo jeito. Ela é perfeita — frisa César. — Ao chegar ao refrão, a gente canta com o coração. Graças a Deus, a gente sente ela. Pela beleza da composição, se tornou um hino popular no nosso Estado.
Rogério corrobora. Para ele, a composição de Goldman apresenta um casamento perfeito de letra e melodia:
— Quando a gente canta essa música, ela aflora o amor pela nossa terra, pelos nossos usos e costumes, pela valorização da mulher gaúcha e da cultura como um todo.
César Oliveira & Rogério Melo interpretam "Hino ao Rio Grande":
Letra de "Hino ao Rio Grande"
(Simão Goldman)
Rio Grande do Sul
O gaúcho quer cantar
A querência, o céu azul
Os verdes pampas e o mar
E as mulheres, que são belas
Nas calmas noites dos rincões
O céu bordado de estrelas
Manto de heróis e tradições
Rio Grande do Sul
Dos prados que não têm fim
Por maior que tu sejas, Rio Grande,
Caberás sempre dentro de mim


![Divulgação / Divulgação Direita] Ícaro Silva da Rosa Linck Fróes, de Canoas (RS) e [esquerda] Gonçalo Franke Franco, de Porto Alegre (RS), Olimpíada Internacional de Inteligência Artificial (IOAI). A 3ª edição da disputa ocorreu de 2 de agosto até este sábado (8), em Astana, capital do Cazaquistão.<!-- NICAID(16343006) -->](https://www.rbsdirect.com.br/filestore/3/7/9/9/6/1/6_38b88ff67826e8b/6169973_2b4b9a9c80b08d3.jpg?format=webp&h=270&w=406)