
O maestro Roberto Tibiriçá morreu na madrugada deste sábado (3), aos 72 anos, em São Paulo. Regente titular e diretor musical da Orquestra Sinfônica do Paraná (OSP) desde 2022, ele estava internado na capital paulista em decorrência de um câncer.
O velório será aberto ao público no Theatro Municipal de São Paulo. A despedida ocorre neste sábado, das 18h às 22h, no Salão Nobre, e continua no domingo (4), das 8h às 12h, no palco da Sala de Espetáculos. O sepultamento está previsto para as 13h, no Cemitério São Paulo, em Pinheiros.
A Orquestra Sinfônica do Paraná e o Teatro Guaíra lamentaram a morte do regente. O diretor-presidente do Centro Cultural Teatro Guaíra, Cleverson Cavalheiro, afirmou que o legado de Tibiriçá permanecerá presente nos músicos, concertos e pessoas alcançadas por seu trabalho. A Fundação Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB), instituição que o maestro dirigiu na década de 1990, também prestou homenagem.
A última apresentação de Tibiriçá ocorreu em 16 de julho, em Londrina, à frente da Orquestra Sinfônica do Paraná. O concerto foi realizado no Cine Teatro Ouro Verde durante o 46º Festival Internacional de Música de Londrina, com obras de Mozart e Beethoven.
Da formação como pianista à regência
Nascido em São Paulo, Tibiriçá iniciou os estudos de piano aos oito anos. Teve orientação de nomes como Guiomar Novaes, Dinorah de Carvalho, Nelson Freire e Gilberto Tinetti e tornou-se discípulo do maestro Eleazar de Carvalho, com quem trabalhou durante 18 anos.
Antes disso, venceu por duas vezes o Concurso para Jovens Regentes da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp).
Nos anos 1980, atuou como regente assistente do Teatro Nacional de São Carlos, em Lisboa. Em 1994, assumiu a direção artística e posteriormente a regência titular da Orquestra Sinfônica Brasileira.
Também comandou a Orquestra Petrobras Sinfônica, a Sinfônica Heliópolis, a Orquestra Sinfônica de Minas Gerais e conjuntos de Campinas e São Bernardo do Campo.
No fim da década de 1980, fundou a Orquestra Nova Filarmonia, que chegou a acompanhar o tenor italiano Luciano Pavarotti.
Tibiriçá também trabalhou na produção fonográfica e esteve envolvido em gravações de música clássica brasileira, entre elas um disco da pianista Guiomar Novaes dedicado ao repertório nacional.
Entre os episódios de maior alcance público de sua trajetória está a participação na Missa Campal celebrada pelo papa João Paulo II no Aterro do Flamengo, em 1997, durante a última visita do pontífice ao Brasil. O evento reuniu público estimado em 2 milhões de pessoas.
Reconhecimento
Em 1995, Tibiriçá foi escolhido Músico do Ano pela crítica especializada do Rio de Janeiro e recebeu o Prêmio Estácio de Sá por seu trabalho à frente da Orquestra Sinfônica Brasileira. Desde 2003, ocupava a cadeira número 5 da Academia Brasileira de Música.
O maestro também recebeu da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) o título de Doutor em Música por Notório Saber. A concessão foi aprovada por unanimidade pelo Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão da universidade.
Nos últimos quatro anos, Tibiriçá esteve à frente da Orquestra Sinfônica do Paraná. Em maio deste ano, regeu o concerto pelos 41 anos da OSP, que reuniu mais de 4,3 mil pessoas no Teatro Guaíra e apresentou repertório dedicado à música brasileira.
