
O urso-pardo-americano Charles, que vivia no Zoo São Braz, em Santa Maria, morreu aos 27 anos. O animal, que sofreu maus tratos em um circo durante um terço sua vida, passou a ter um espaço e dignidade, sendo cuidado pela equipe do zoológico.
Charles chegou ao zoo em março de 2009, quando tinha cerca de 10 anos. Ele havia passado aproximadamente nove em um circo, mantido em uma jaula de seis metros quadrados e se apresentando sobre chapas de metal quente.
Segundo o zoológico, quando chegou a Santa Maria, estava bastante debilitado, com as patas queimadas e apresentava sinais dos anos de exploração.
O fundador do espaço, Santos Braz, conta que aceitou construir um lar para que o animal passasse o resto de sua vida de maneira digna, visto que já não tinha condições de retornar para a natureza.
— Momento difícil, especialmente para mim. Aceitei em recebê-lo após ser recolhido de um circo. Topei o desafio de construir a sua morada e dar uma vida digna até o fim dos seus dias. Só eu sei do empenho da nossa equipe em dar sempre o melhor para o Charles. Mas infelizmente hoje ele nos deixa. tenho comigo a certeza de dever cumprido que sempre fiz o melhor a ele — afirma Braz.
No São Braz, Charles recebeu um recinto maior e mais adequado. O espaço recebeu vegetação e elementos que buscavam se aproximar, dentro do possível, das características do habitat natural da espécie. Somado a isto, o esforço da equipe ao longo dos anos mudou o comportamento do animal, que, mesmo ainda marcado pelos traumas, passou a ser menos agressivo e estressado.
Outro desafio era o clima. O urso-pardo-americano é encontrado naturalmente na América do Norte, Europa e Ásia, principalmente em regiões de montanhas e florestas. É uma espécie adaptada a ambientes predominantemente frios e, no clima brasileiro, Charles sofria com o estresse térmico. Nos períodos mais quentes, passava boa parte do dia se movimentando e nadando na piscina do recinto.
Segundo Santos Braz, Charles era o último urso-pardo do Rio Grande do Sul. Ao longo dos anos, o animal acabou se tornando uma das figuras mais conhecidas do Zoo São Braz e fez parte da experiência de milhares de visitantes.
Nas redes sociais do zoológico, a notícia provocou comoção. Muitas pessoas compartilharam lembranças de visitas ao São Braz e histórias de quando conheceram Charles, além de apoio e parabenização para os profissionais que trabalham no local.
Após a morte de Charles, o corpo do animal foi levado para a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) para que fosse feito o exame de necropsia, que deve confirmar a causa da morte. O resultado do exame deve ser divulgado em 10 dias.
Após isso, a pele do urso será devolvida para o zoológico, onde passará por um processo de taxidermização, técnica que permite preservar a aparência do animal.
O esqueleto será incorporado ao museu do Laboratório de Patologia Veterinária da UFSM.




