
Uma das integrantes do grupo de trilheiros que ficou desaparecido por dois dias em Morrinhos do Sul contesta a versão apresentada pelo guia contratado para o passeio. Carmelita Rodrigues dos Santos afirma que o profissional não prestou os serviços combinados, como orientação, assistência e café da manhã.
O passeio começou no sábado (29) com o objetivo de percorrer a região entre os cânions Tajuvas e Josafás. Participaram quatro trilheiros — Carmelita, seu filho de 15 anos e um casal de amigos de Caxias do Sul —, além do guia e de outra mulher. O grupo passou a noite acampado.
Na manhã de domingo (30), o tempo começou a fechar. Carmelita afirma que os quatro decidiram retornar sozinhos para a base, sem receber orientações do guia. Conforme o relato, o profissional fez o caminho de volta separadamente, acompanhado da outra participante.
— A gente ia embora. A gente falou pra ele: "a gente não quer mais ficar aqui" — relata Carmelita, que reconhece ter saído na frente do profissional: — A gente sabia o caminho de volta. Aí a gente foi indo e encontrou eles de novo. Ele não falou uma única palavra. Como se ele não quisesse a nossa presença.
Durante o retorno, os quatro decidiram montar um acampamento enquanto aguardavam a melhora do tempo. Segundo Carmelita, a baixa visibilidade dificultava o deslocamento.
O grupo foi encontrado na manhã de terça-feira por moradores da região, após dois dias de buscas do Corpo de Bombeiros. Carmelita afirma que eles já se preparavam para retornar quando o sol apareceu.
Grupo procurou polícia, que descarta investigação
Depois de deixarem Morrinhos do Sul, os quatro foram à delegacia de Terra de Areia registrar um boletim de ocorrência. O caso foi encaminhado à delegacia de Três Cachoeiras.
O delegado Marcus Veloso afirmou que não pretende abrir investigação neste momento, pois não há, por enquanto, indícios de crime.
Guia contesta versão
A versão de Carmelita difere do relato feito anteriormente pelo guia Marcelo Veiga à Rádio Gaúcha.
Ele afirmou que orientou o grupo durante a trilha, mas que as instruções não foram respeitadas. Segundo Marcelo, ele pediu que os integrantes descessem devido às condições climáticas e decidiu retornar acompanhado da outra participante por segurança.
— Esse pessoal não quis em nenhum momento ficar com a gente. Eles largaram na frente — disse à Rádio Gaúcha.
Ainda conforme o guia, ao perceber que os quatro não haviam retornado à base, ele voltou ao local onde o grupo estava, mas não conseguiu encontrá-los.
Relembre o caso: o resgate dos trilheiros em Morrinhos do Sul
Quatro turistas de Caxias do Sul (uma mulher de 47 anos, o filho adolescente dela de 15 anos, outra mulher de 41 anos e um homem de 38 anos) desapareceram na região do Cânion Tajuvas, em Morrinhos do Sul, no Litoral Norte.
A separação na trilha
O grupo fazia uma caminhada na tarde de domingo quando foi surpreendido pela piora nas condições do tempo. Durante a chuva e o nevoeiro, enquanto o guia orientava o retorno, os quatro turistas acabaram se distanciando e se separando do restante do grupo.
As buscas
Uma força-tarefa mobilizou o Corpo de Bombeiros por cerca de 40 horas, enfrentando dificuldades logísticas devido ao mau tempo na área. A operação contou com o apoio de cães farejadores, drones e guias que conheciam a geografia local.
O desfecho
Os trilheiros foram localizados a mais de um quilômetro de distância da trilha principal. Após o resgate, foi constatado que todos passavam bem.

