
O líder indígena da etnia kayapó, Raoni Metuktire, de 94 anos, foi diagnosticado com câncer no aparelho digestório. A informação foi divulgada pelo Instituto Raoni nesta segunda-feira (14).
Após exames confirmarem a presença de um adenocarcinoma, o cacique está sob cuidados paliativos em Peixoto de Azevedo, no norte de Mato Grosso, acompanhado pela família e por seu povo.
Segundo o Instituto Raoni, a adoção dos cuidados paliativos foi recomendada pela equipe médica em razão da idade avançada, das condições clínicas e dos riscos associados a tratamentos mais agressivos.
A instituição ressalta, porém, que os cuidados paliativos não significam a interrupção do tratamento. O objetivo é garantir o controle da dor, prevenir complicações e proporcionar maior qualidade de vida ao paciente.
Raoni recebe acompanhamento contínuo de médicos, enfermeiros e fisioterapeutas, além de contar com uma estrutura adequada para assistência domiciliar.
Histórico de internações e problemas de saúde
Ao longo de 2026, o Cacique passou por um período marcado por sucessivas internações e problemas de saúde.
Em maio, Raoni esteve internado para tratar uma hérnia e foi diagnosticado com doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) e problemas cardíacos.
Já em junho, o líder indígena foi internado em estado grave na unidade de terapia intensiva (UTI) do Hospital Dois Pinheiros, em Sinop, a 503 quilômetros de Cuiabá (MT), após apresentar suspeita de sepse com foco pulmonar, causada por uma pneumonia broncoaspirativa associada a episódios de vômito.
Posteriormente, Raoni foi transferido para o Hospital São Paulo (HSP/Unifesp) no dia 19 de junho, após apresentar melhora das funções intestinais e renais, mantendo-se lúcido, consciente e orientado.
Ele passou por uma cirurgia de desobstrução intestinal no dia 23 e foi liberado após apresentar quadro clínico estável, recebendo alta hospitalar no dia 15 de julho.
Quem é cacique Raoni
Considerado uma das vozes mais influentes na defesa dos indígenas e do meio ambiente, o cacique Raoni foi peça-chave para o reconhecimento dos direitos dos povos indígenas.
O cacique dedica a vida à defesa da Amazônia e dos povos da floresta e tem grande reconhecimento internacional. Da aldeia Kraimopry-yaka, onde nasceu, Raoni rodou o mundo pedindo paz e manteve interlocução com diversas personalidades, como o papa Francisco e o rei britânico Charles III.



