
Mais de dois anos após a tragédia climática de maio de 2024, três dos municípios mais atingidos da Região Metropolitana preparam uma nova etapa na implantação de sistemas de proteção contra as cheias. Após reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o governador Eduardo Leite, na sexta-feira (11), na Base Aérea de Canoas, os prefeitos de Porto Alegre e Canoas e a prefeita de Eldorado do Sul apresentaram os próximos passos de projetos que somam R$ 1,56 bilhão.
As intervenções estão em estágios distintos. Canoas prevê iniciar na próxima semana a construção de duas casas de bombas. Porto Alegre planeja publicar até outubro o edital do pôlder 10 e ainda precisa licitar as obras definitivas dos pôlderes 7 e 8. Em Eldorado do Sul — onde mais de 90% da área foi atingida pelas águas em 2024 — a ordem de início do contrato é projetada para dezembro, mas os primeiros 12 meses serão dedicados a projetos complementares e licenciamento ambiental antes do início das obras.
O encontro formalizou novos encaminhamentos financiados pelo Fundo de Apoio à Infraestrutura para Recuperação e Adaptação a Eventos Climáticos Extremos (Firece), criado para apoiar a reconstrução no Rio Grande do Sul. Foram assinados termos aditivos que tornam as prefeituras de Porto Alegre e Canoas executoras diretas das intervenções, enquanto o sistema de Eldorado do Sul terá financiamento conjunto da União e do Estado.
Porto Alegre
A capital terá R$ 458 milhões para os pôlderes 7, 8 e 10, que protegem a Zona Norte. Para o pôlder 10, no Sarandi, foram destinados R$ 178 milhões para uma nova estação de bombeamento, ampliação das redes de drenagem e um parque linear. O edital deve ser lançado até outubro.
— A casa de bombas do Sarandi hoje é pequena e precisa ser mais potente para retirar a quantidade de água que cai naquela região. O recurso está liberado e vamos proceder à licitação rapidamente — afirmou o prefeito Sebastião Melo.
Outros R$ 280 milhões vão para a segunda etapa dos pôlderes 7 e 8, no entorno do aeroporto Salgado Filho. A fase prevê duas estações de bombeamento, alargamento dos canais dos arroios Passo das Pedras e Areia e melhorias nos diques. Melo também entregou a Lula um ofício solicitando R$ 300 milhões para proteger o bairro Guarujá, na Zona Sul, com estudos que avaliam a elevação da Praça José Zeno Simon ou da Avenida Guaíba.
Os pôlderes são áreas baixas cercadas por diques e drenadas por canais e casas de bombas para evitar inundações.
Canoas
O município oficializou o repasse de R$ 75 milhões para as casas de bombas 9 e 10, no bairro Mato Grande, integradas a um dique construído com verba municipal. Segundo o prefeito Airton Souza, a prefeitura usou R$ 5 milhões do próprio orçamento para antecipar a licitação, com contrato assinado e ordem de início prevista para a próxima semana. Souza também pediu apoio federal para as obras no bairro São Luís, consideradas mais complexas por exigirem integração com a Bacia do Rio dos Sinos.
Eldorado do Sul
O projeto prevê um dique de proteção, casas de bombas e microdrenagem, orçados em R$ 1,03 bilhão — sendo R$ 730 milhões do Firece e R$ 300 milhões do Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs). Discutida há 14 anos, a proposta foi atualizada após as cheias de 2024.
A prefeita Juliana Carvalho projeta para dezembro a ordem de início, condicionada à liberação de um documento federal e à formalização do Funrigs. Como a licitação ocorre com base em anteprojeto, a empresa vencedora elaborará os projetos complementares e obterá as licenças da Fepam. O cronograma prevê 12 meses para essa etapa e 30 meses para a construção, com conclusão estimada para junho de 2030.
— É a primeira vez que a gente chega nessa fase. É uma grande ansiedade porque, quando as pessoas ouvem por 14 anos que vai sair uma obra que nunca sai, infelizmente deixam de acreditar — afirmou a prefeita.

