
A prefeitura de Lajeado apresentou nesta quinta-feira (13) um plano para retirar, de forma gradual, moradores de áreas próximas ao Rio Taquari. A proposta prevê a desocupação completa das regiões localizadas entre as cotas 19 e 24 do rio em até três anos.
As cotas se referem à altura do rio. Ou seja: quem vive na cota 24 vê a água invadir sua casa quando o nível chega a 24 metros. A cota oficial de inundação do Taquari na cidade é 19 metros.
Segundo o município, a área foi atingida por 77% das enchentes registradas em Lajeado desde 1939. No fim de julho, dois episódios de inundação ocorreram em um intervalo de uma semana e obrigaram centenas de famílias a deixarem suas casas duas vezes.
Mudança de prioridade
Lajeado divide as áreas impactadas pelas enchentes em duas zonas: a de arraste e a de inundação. A primeira era o foco principal nas ações de reconstrução da cidade. No entanto, após quatro episódios de inundação entre 2025 e 2026, a prefeitura passou a tratar as áreas frequentemente invadidas pela água como prioridade.
Os moradores dessas regiões não são contemplados pelos programas habitacionais criados para atender vítimas das enchentes de 2023 e 2024. Isso ocorre porque as residências estão em áreas de inundação, mas não em locais onde as casas foram destruídas.
Boa parte da população atingida não viveu as duas tragédias. De acordo com a prefeitura, sete em cada 10 pessoas que vivem atualmente nessas áreas chegaram ao município depois da maior enchente da história da cidade. Muitas delas são estrangeiras.
— A gente tá enxugando gelo. Desocupamos essas áreas, mas outras famílias voltam a morar. Então agora esse plano realmente vem de uma forma estruturada para fazer a desocupação dessas áreas de inundação e também a requalificação na verdade nós vão ter que demolir essas casas — explica a prefeitura Gláucia Schumacher.
Cronograma de desocupação
O plano apresenta um cronograma detalhado para a retirada dos moradores e a demolição das residências:
- Próximos 30 dias: prioridade para a demolição de 50 casas já condenadas e desocupadas (10 delas já fora demolidas na última semana).
- Até o fim de 2026: retirada dos moradores da região da cota 19 a 20.
- Até julho de 2027: cota 20 a 21.
- Até julho de 2028: cota 21 a 22.
- Até dezembro de 2028: cota 22 a 23.
- Até dezembro de 2029: conclusão da retirada na cota 23 a 24.
No futuro, o executivo pretende prosseguir a desocupação e, outras cotas. O plano diretor do município proíbe a construção de imóveis até a cota 27.
— Tudo é uma situação que tem que ser conversada. Não vai chegar e demolir com alguém morando lá agora — esclarece Gláucia.
Casos em que famílias não aceitarem a remoção deverão ser judicializados.
Para onde vão as famílias
As famílias deverão ser reassentadas em moradias populares ou incluídas em programas dos governos estadual e federal. A prefeita garante que os primeiros moradores serão direcionados a empreendimentos do programa Minha Casa, Minha Vida — que não possuem relação direta com a enchente e devem ficar prontos ainda em 2026.
A prefeitura mantém tratativas para incluir esses moradores no empreendimento do governo federal feito para vítimas da enchente. Negocia também com o governo do Estado para contemplar esse público no plano de indenização do Vale do Taquari, garantindo um valor financeiro para que deixem as áreas de risco.
Fiscalização e combate a novas ocupações

Um dos principais desafios no plano está em garantir que novas pessoas não ocupem nem construam imóveis nessas áreas.
Nos próximos meses, o município pretende instalar placas informativas sobre o risco de inundação. Os avisos estarão em português, espanhol, inglês e crioulo haitiano para contemplar a comunidade de imigrantes.
Também está previsto um trabalho permanente de monitoramento por imagens de satélite, com o apoio do Ministério Público, para coibir novas invasões.


