O último dia da Lat.Bus 2026, maior feira de transporte coletivo da América Latina, que terminou nesta quinta-feira (13), em São Paulo, foi marcado por um debate sobre mobilidade urbana. Há um consenso entre os participantes de que veículos como ônibus urbanos contribuem para um trânsito com menos congestionamentos nas cidades e, consequentemente, menores emissões de CO₂, gás que contribui para o aquecimento global.

A indústria está comprometida em reduzir a poluição, admitindo que os veículos elétricos são mais caros e exigem investimentos iniciais mais vultosos por parte dos Executivos municipais. Por isso, grandes empresas, como a gaúcha Marcopolo, apostam em soluções diversas. Na feira, a companhia apresentou modelos elétricos, híbridos, movidos a gás natural e biometano.
A mobilidade urbana caminha para soluções mais sustentáveis. A sustentabilidade é um grande tema, mas isso tem de estar associado à viabilidade do sistema. Por isso, a empresa também apresenta aqui soluções que trazem mais eficiência para a operação, menor custo operacional
ANDRÉ ARMAGANIJAN
CEO da Marcopolo
O executivo entende que o momento é complexo, com taxas de juros mais elevadas, financiamento menos disponível e custos maiores para os operadores.
Sobre tecnologia, André defende que o ônibus é uma plataforma de dados ambulante, contribuindo, inclusive, com informações sobre o tráfego:
— É como um powerbank ambulante. Em alguns momentos, ele carrega energia e a disponibiliza para a sociedade. O ônibus é um ativo que está continuamente circulando e entendendo o que está acontecendo dentro e fora, como o tráfego e as condições das vias.
Soluções regionais para a descarbonização
Na mesma linha, André Gustavo Silva, diretor comercial e de novos produtos da Cocal, afirma que a solução sobre energia precisa ser regionalizada, especialmente em um país com dimensões continentais, como o Brasil.
— A ideia não é ou elétrico ou biometano. A depender da disponibilidade e da tecnologia, uma ou outra solução vai fazer mais sentido.
CEO da PB Energy, Andres Guevara exemplifica que essa diversidade se manifesta também em outros países.
— A Islândia é um país que produz energia geotérmica. A Espanha é rica em energia solar. Nos EUA, o gás natural é o mais econômico do mundo. Cada país tem uma matriz energética única e ela tem de ser aproveitada — defende.
O Brasil tem potencial renovável gigante, com o etanol como alternativa para contribuir para a transição para veículos menos poluentes.
— Nessas fases de transição, parcerias são fundamentais. Estamos na fase de descobrir quem nasceu primeiro, se o ovo ou a galinha: você não tem oferta porque não tem demanda, e vice-versa — critica.

Avanço dos ônibus elétricos na América Latina
A organização C40 Cities divulgou na feira um levantamento que mostra que a América Latina atingiu o marco de 10 mil ônibus elétricos em circulação. São Paulo é modelo, com 1.759 veículos (segunda maior frota da América Latina), apoiada por um plano de investimento de R$ 6,5 bilhões. Eduardo Siqueira, gerente de projetos da C40, explica que esse número total triplicou em quatro anos.
— O futuro passa pela descarbonização, que tem o potencial de qualificar o transporte coletivo e a mobilidade urbana. A transição energética no transporte coletivo traz a oportunidade de qualificar o sistema para as pessoas: olhar as linhas, os contratos, otimizar a operação para que se tenha um transporte eficiente para a população — avalia.
Em Porto Alegre, são 12 ônibus elétricos no transporte público.
Tecnologia e o futuro do pagamento de tarifas
A Lat-Bus é um espaço para conectar diferentes atores do transporte público, como empresas de bilhetagem eletrônica. A Autopass é responsável pela operação em mais de 60 municípios brasileiros, entre eles São Paulo e Rio de Janeiro.
O diretor comercial da empresa, Leonardo Ceragioli, conta que o Jaé, na capital fluminense, opera totalmente online, por meio de aplicativo e cartão físico. No caso do app, no momento em que o check-in é feito, o usuário pode verificar o resultado da transação financeira e, em caso de problemas, fazer uma reclamação em tempo real.
— Da mesma forma que o sistema é online, a reclamação é online. Se eu me sentir lesado porque não houve uma integração, ou não paguei, ou houve uma transação de que não lembrava, posso fazer a reclamação online. E a reclamação vem.

O próximo passo, na avaliação do executivo, é o usuário ser identificado por meio de biometria facial ao ingressar no ônibus ou trem.
— A ideia é ele nem perceber que está pagando o seu transporte. Com o uso do celular, em dois minutos já identifiquei o usuário. Ele vai entrar no ônibus, o sistema vai receber a informação via biometria facial e ele vai ser liberado. Já está totalmente fechado. O que falta não é tecnologia, é conectividade — explica.
*Rodrigo Lopes viajou a São Paulo a convite da Marcopolo.




