A Defesa Civil estadual confirmou na manhã desta sexta-feira (7) que o temporal que atingiu o Rio Grande do Sul na noite de quinta-feira (6) provocou estragos em ao menos 118 municípios e afetou diretamente 65 mil pessoas. O órgão considera que o ciclone-bomba já passou pelo território gaúcho e não há previsão de novos episódios de vendaval.
— Os piores efeitos deste sistema que estava sobre o Estado já passaram. Ontem, por volta de 17h, essa linha de instabilidade que veio do Uruguai começou a avançar. Acredito que por volta de meia-noite a 1h, já tinha praticamente ultrapassado todo o Rio Grande do Sul, mas deixou suas consequências — explicou o coordenador estadual de Proteção e Defesa Civil, coronel Luciano Boeira, em entrevista ao programa Gaúcha Atualidade, da Rádio Gaúcha, nesta manhã.
Apesar da passagem do ciclone, a Defesa Civil informou que a maior parte dos estragos foi provocada pelo aumento da instabilidade no Estado, combinado com os ventos e que o município de Pedro Osório foi atingido por um tornado.
Estragos pelo RS
Boeira afirmou que os ventos chegaram a 134 km/h em General Câmara, na Região Carbonífera, e 120 km/h no Aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre. Ainda segundo ele, o fenômeno registrado na noite de quinta-feira (6) deixou ao menos cinco feridos.
Em Novo Hamburgo, no Vale do Sinos, uma pessoa teve ferimentos graves. Em Osório, no Litoral Norte, um militar foi atingido por estilhaços do para-brisa de um ônibus da Polícia Rodoviária da Brigada Militar.
Também houve registro de três feridos em Dom Feliciano, no sul do Estado. O pavilhão da Expo Dom Feliciano destinado ao comércio foi destruído, e parte da praça de alimentação foi danificada. Três trabalhadores ficaram feridos durante o episódio. Eles foram encaminhados ao hospital, atendidos e não tiveram ferimentos graves.
No final desta manhã, a Defesa Civil confirmou que contabiliza uma morte de um motociclista Montenegro, no vale do Caí, que tem relação com a chuva.
Queda nas temperaturas e chuva na próxima semana
Boeira estima que, com a queda nas temperaturas a partir desta tarde, a chuva retorne ao Estado na próxima semana, fazendo com que as autoridades monitorem o cenário e disparem novos alertas, se necessário.
— Nós temos como ponto de atenção os dias 12 e 13 (de agosto), que é o retorno das chuvas. Não esperamos grandes volumes, precisamos seguir no monitoramento — afirma Boeira.
— Com relação ao ciclone, ele já se afasta em direção ao alto mar, não deve trazer mais transtornos para o nosso Estado — projeta o coordenador da Defesa Civil, acrescentando que são esperados volumes próximos de 100 milímetros nos dois dias.
Sistema de alertas
O coordenador explicou que o sistema de alertas Cell Broadcast, que foi disparado para os celulares sem necessidade de cadastro, depende da condição de internet do aparelho e da região selecionada para o envio.
— O nosso meteorologista identifica um perímetro da área que vai ser impactada, seja pelas chuvas, pelos ventos e todos os celulares, independente de ter cadastro ou não. Essa mensagem é emitida somente para 4G e 5G. Se eventualmente, o celular, ele não possui 4G ou 5G, ou ele está numa rede de 3G, ele não vai receber — esclarece.



