
A inteligência artificial oferece novas e potentes ferramentas para o combate à corrupção, por um lado, enquanto simultaneamente amplia os riscos para as democracias pelas possibilidades que oferece para a produção de desinformação.
A avaliação é do presidente da Transparência Internacional, o francês François Valérian, que participou de agenda em Porto Alegre, na quarta-feira (29).
Em conversa com ZH, Valérian fez três apontamentos sobre o avanço das IA. O primeiro é de que, com auxílio de agentes de IA é possível analisar grandes quantidades de dados que facilitam a identificação de crimes, como o de corrupção.
A inteligência artificial é um instrumento para nós que lutamos contra a corrupção, pois permite à Transparência Internacional e aos seus braços locais analisar uma quantidade enorme de dados que os seres humanos não conseguiriam
FRANÇOIS VALÉRIAN
Presidente da Transparência Internacional
Valérian trouxe o exemplo da cooperação regional na Amazônia entre as filiais da entidade no Brasil, no Peru, no Equador e na Colômbia:
— Essa rede que formamos utiliza um algoritmo de inteligência artificial para detectar padrões de desmatamento ilegal promovido pelo crime organizado — apontou.
Desinformação
A faceta preocupante das IAs, para o presidente da Transparência Internacional, é o seu uso para a produção e disseminação de desinformação, como em fake news. Para Valérian, esta deveria ser uma preocupação em comum entre todos que "lutam pela democracia", como ativistas e jornalistas.
Quando a IA é utilizada para fins de desinformação ou manipulação, ela representa um perigo extremo para a democracia. Precisamos de transparência em relação aos algoritmos utilizados e, de forma mais concreta, precisamos combater as campanhas de desinformação.
FRANÇOIS VALÉRIAN
Presidente da Transparência Internacional
Valérian participou, nesta quarta-feira (29), no Palácio Piratini, da assinatura de um memorando de entendimento entre a entidade internacional e o governo do Rio Grande do Sul. O documento busca incentivar as práticas de transparência e fortalecer os mecanismos de integridade no Estado.



