
Conforme a prefeitura de Lajeado, desde a quarta-feira passada (22), quando o Rio Taquari ultrapassou cota de inundação no município, 590 pessoas de 196 famílias foram acolhidas no abrigo localizado no Parque do Imigrante. Destas, 218 eram estrangeiras — o equivalente a 37% dos abrigados.
Na tarde desta segunda-feira (27), mesmo com o Rio Taquari já dentro da normalidade, 243 pessoas seguiam abrigadas no local. As demais voltaram para suas casas ao longo do final de semana. A última medição do nível aponta para 13,14 metros, abaixo da cota de inundação de 19 metros. No dia 22 ele chegou a 23 metros.
Dos estrangeiros impactados, a maioria é de venezuelanos (75) e haitianos (69). Conforme o prefeito em exercício, Guilherme Cé, o número de pessoas vindas de fora preocupa porque muitas não viveram as enchentes anteriores e passaram a morar em áreas alagáveis.
— São pessoas que acabaram vindo de fora e acabaram se estabelecendo em regiões mais baixas. É uma área próxima do centro e também próxima de empresas que acabam absorvendo esta mão de obra — avalia Guilherme Cé.
Ainda segundo a análise do prefeito em exercício, o número de famílias impactadas foi reduzido com as remoções e ações tomadas desde 2023 — ano em que, em setembro, a enchente matou mais de 50 pessoas no Vale do Taquari. O próprio plano diretor de Lajeado já proíbe construções abaixo da chamada cota 27 (faixa de terreno situada a 27 metros acima do nível do mar), mas ainda há ocupações históricas.
Boa-fé
Cé afirma que a prefeitura pretende intensificar o trabalho de orientação às famílias e de prevenção de novas ocupações. Segundo ele, porém, essa responsabilidade não se limita ao poder público.
— Inclui a boa-fé, inclusive, de quem muitas vezes loca casas para esses imigrantes e não esclarece a situação. Entra também na questão das próprias empresas, orientando futuros colaboradores dos melhores locais para se instalar na cidade, justamente porque quando uma cheia dessas vem, gera um impacto econômico e social, mas gera também um reflexo nas empresas, que muitas vezes esse colaborador não consegue nem mesmo trabalhar — afirma Cé.
Uma das práticas para evitar a retomada da ocupação é a implementação de parques nos locais desocupados. Segundo a prefeitura, parte das famílias afetadas na semana passada sairá do abrigo para novas residências nesta semana, enquanto as moradias antigas serão demolidas.
A região impactada fica no bairro Centro, no local conhecido como praia e está próximo do Parque Professor Theobaldo Dick.
Abrigo aberto
Com os alertas para mais chuva no Rio Grande do Sul, a prefeitura decidiu manter o abrigamento no Parque do Imigrante.
Até o momento, a maioria dos modelos meteorológicos não prevê grande elevação e chuva na cabeceira do Taquari-Antas. Mesmo assim, enquanto existir o risco, a orientação é que as famílias que moram em áreas alagáveis sigam no local.





