
Os estragos causados por um temporal na manhã deste sábado (11), em Eldorado do Sul, na Região Metropolitana, foram agravados por uma combinação de elementos. Uma frente fria, associada a um centro de baixa pressão do ar que atuava sobre a Grande Porto Alegre, encontrou um ambiente instável caracterizado por temperaturas ligeiramente elevadas e muita umidade nas camadas mais baixas da atmosfera. Essas condições forneceram uma grande quantidade de energia para a tempestade que se abateu sobre Eldorado.
A meteorologista Natália Pereira, da Catavento Meteorologia, afirma que não há elementos suficientes para sugerir, até o momento, que a queda de árvores e o destelhamento de pelo menos uma centena de casas foram provocados por algum fenômeno mais específico:
— As evidências disponíveis indicam que os maiores danos foram provocados principalmente pela intensa e prolongada precipitação de granizo. Até o momento, não há elementos técnicos suficientes para confirmar a ocorrência de um fenômeno específico, como uma microexplosão (...). Não classifico como microexplosão porque houve destruição em vários pontos da cidade, não apenas em uma rua, por exemplo.
A meteorologista, que se deslocou até as áreas mais afetadas de Eldorado para analisar pessoalmente o impacto do mau tempo, conta que alguns moradores relataram ter percebido uma movimentação "circular" na atmosfera, o que poderia apontar para um tornado. Natália avalia, porém, que essa possibilidade também carece de mais elementos para ser confirmada:
— Precisaríamos analisar imagens de radar e outros elementos para constatar. Mas eu, particularmente, acho que foi efeito somente da tempestade severa mesmo.
Procurada por Zero Hora, a Defesa Civil do Estado informou no meio da tarde que ainda estava analisando indícios para apurar o que ocorreu. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) não deu retorno até a publicação da reportagem.
Os dados disponíveis demonstram que, nesse cenário de muita energia na atmosfera, formaram-se nuvens de tempestade que se desenvolvem verticalmente, chamadas cumulonimbus, responsáveis por chuva intensa, descargas elétricas e queda de granizo por um período prolongado — que se aproximou de 30 minutos em algumas localidades.
Como se formou o granizo
A formação do granizo, conforme a Catavento Meteorologia, ocorreu em razão do grande desenvolvimento vertical dessas nuvens. Fortes correntes ascendentes transportaram, de forma contínua, ar quente e úmido para o interior da tempestade e impulsionaram seu crescimento.
Nas zonas mais altas, onde a temperatura é negativa, as gotículas de água congelaram e passaram a formar partículas de gelo. Essas partículas permaneceram em suspensão devido à intensidade das correntes ascendentes, aumentando de tamanho em razão do congelamento de novas gotículas de água até atingirem peso suficiente para vencer a sustentação do ar e despencarem na forma de granizo.
Segundo Natália, é um mecanismo típico dos meses de inverno no sul do Brasil, quando o encontro entre massas de ar de características muito distintas favorece a formação de tempestades severas localizadas, com potencial para chuva intensa, granizo e rajadas de vento.

