
Ozzy, o lulu-da-pomerânia roubado na segunda-feira (27) durante um passeio (veja vídeo abaixo) no bairro Petrópolis, em Porto Alegre, voltou para casa na tarde desta terça-feira (28). O reencontro com a família só foi possível graças a Leandro Fonseca, gerente de investimentos que encontrou o cachorro perdido na noite do crime, em meio a um temporal, e o abrigou até que a Polícia Civil chegasse aos donos.
A Rádio Gaúcha vinha divulgando o caso desde o programa Gaúcha Hoje, no início da manhã, quando o tutor mandou mensagem relatando o ocorrido. Uma colega de Fonseca entrou em contato com a reportagem e contou que ele estava com Ozzy. Ao mesmo tempo, Fonseca já vinha divulgando a foto do animal nas redes sociais.
O resgate de Ozzy
Fonseca saía do trabalho por volta das 18h30min de segunda-feira, quando chuva torrencial atingia a cidade. Ele notou um vulto peludo perto de uma praça na região da Avenida Carlos Gomes.
— Passei de carro, estava chovendo forte, e olhei assim: "É uma raposa", porque ele é peludinho. Achei que fosse uma raposa. Vi ele meio zanzando, um pouco na rua, um pouco na calçada — relembra.
O trânsito de fim de tarde o levou adiante, mas a imagem não saía da cabeça. Depois de cerca de três quadras, ele conseguiu fazer o retorno e voltou. Quando chegou, encontrou uma mulher de capa de chuva, funcionária de uma pet shop, tentando conter o animal.
— Perguntei se ela o conhecia. Ela disse: "Não, mas ele está perdido, vão atropelar ele." Eu falei: "Não, vou te ajudar" — conta.
O cachorro estava arisco e fugia. Fonseca precisou correr atrás dele, levou uma tentativa de mordida e só então conseguiu acalmá-lo no colo.
A funcionária não tinha como ficar com o animal, mas emprestou uma caixa de transporte da loja e avisou: dava para ver, pelos olhos e pelos dentes, que era um cão mais velho.
Uma noite de cuidados

Sem saber a quem pertencia, Fonseca resolveu levar Ozzy a uma clínica veterinária. Como o cachorro mancava, ele quis descartar a possibilidade de ferimentos. Na consulta, o animal estava bem, mas a leitura do microchip não funcionou, e não foi possível identificar os donos.
Tutor de dois cães, um golden retriever e uma pug, ele decidiu levar o hóspede para casa. Arredio no começo, Ozzy foi se soltando aos poucos. Recusou água, mas saiu da caixa de transporte com fome quando a família serviu a ração dos outros animais. À noite, ao ouvir o barulho das panelas na hora do jantar, já corria solto pela casa pedindo comida.
— Ele estava em um ambiente seguro. A hora que se sentisse confortável, ia sair — descreve.
Rede que encontrou os donos
Na manhã desta terça-feira, Fonseca acordou cedo e caminhou pela praça onde havia encontrado o cachorro. Bateu em condomínios, falou com porteiros e deixou o recado de que trabalhava em uma agência bancária na Avenida Carlos Gomes, para onde os donos poderiam ligar.
O plano seguinte era imprimir cartazes com fotos de Ozzy e distribuí-los pelo bairro na hora do almoço. Não foi preciso.
Publicou o caso no Instagram e começou a receber mensagens de pessoas que reconheciam o animal, que já vinha sendo procurado nas redes sociais. Em paralelo, a colega de trabalho de Fonseca entrou em contato com a Rádio Gaúcha.
Foi então que Fonseca se lembrou de ter o contato de uma policial civil da região, de um episódio anterior, e resolveu escrever para ela.
— Ela falou: "Nossa, é minha vizinha. Foi ontem esse caso, e eu que estou cuidando disso". Então fizemos a conexão — relata.
A partir daí, tudo foi rápido. A Polícia Civil foi até a casa de Fonseca, onde Ozzy havia ficado aos cuidados do enteado dele, e buscou o cachorro. Menos de uma hora depois de ele chegar ao trabalho, o animal já estava a caminho da família.
— É algo emocionante, porque é um bichinho que está precisando, está desprotegido. Eu me coloquei muito no lugar dos tutores, porque tenho os meus e não consigo imaginar passar por uma situação dessas — afirma.

Fonseca conta que já foi assaltado antes e evita julgar a reação de quem passeava com Ozzy no momento do roubo. Prefere destacar o impulso que o fez voltar e tirar Ozzy da rua.
— Meu instinto foi de proteger, de acolher, de ajudar. Não fiz nada mais, nada menos do que eu queria que fizessem pelos meus. É obrigação de qualquer ser humano cuidar de qualquer ser indefeso — resume.
O assalto
Ozzy foi levado por volta das 18h de segunda-feira, quando passeava com Luciano Haeussler, amigo do tutor André Saraiva Adams, no bairro Petrópolis.
Câmeras de segurança registraram o momento em que dois homens desceram de um carro preto e abordaram Haeussler para roubar seu celular.
Ele cai para trás, solta a guia, e um dos assaltantes aproveita para agarrar o cachorro. A dupla foge em seguida.
O aparelho que os assaltantes procuravam não estava com a vítima. Ao voltar para o veículo, um dos homens percebeu o cão solto na calçada e o levou. A família registrou boletim de ocorrência, e a Polícia Civil investiga o caso. Até o momento, ninguém foi preso.
Após o reencontro nesta tarde, a família optou por não se manifestar.




