Um castelo às margens da BR-101, em Torres, no Litoral Norte, contrasta com a paisagem e com a época. No local, mora a família de Thaiza Rodrigues De Toni, 29 anos, conhecida como Lady D'Or nas redes sociais.
Ainda que a estrutura desperte curiosidade, para Thaiza, soa "natural" morar em um castelo. Ela estima que o local tenha 1,5 mil metros quadrados de área construída. Hoje, o espaço é utilizado para moradia, eventos e cenário para ensaios fotográficos.
Entre os desafios da rotina, estão a limpeza e a organização do castelo, dificultadas principalmente pelo tamanho da estrutura. O frio também entra na lista. Por outro lado, Thaiza ressalta um aspecto positivo da experiência:
— Não temos os confortos de alguém que mora em uma casa normal, mas acho magnífico a venda do sonho, vamos dizer assim. Quando começamos a sentir esse gosto de vender sonho, virou algo diferente para nós, porque recebemos muitas debutantes, princesas, pessoas que sonham. Isso é diferente de morar num castelo: tu viver do lúdico.
Uma relação antiga: como a família foi parar no castelo

Engenheira civil de formação e apaixonada por cultura e história medieval, Thaiza mora no castelo com o marido e o filho de seis anos desde o final de 2023. Entre 2018 e 2019, residiu no local com os pais e chegou a ser responsável pela adega que ficava na ala comercial do castelo.
Os pais da engenheira estavam viajando quando notaram o castelo na estrada e tiraram fotos. Segundo Thaiza, na época, surgiu uma amizade com o dono, hoje já falecido.
— Digo que ele foi até o meu mestre. Tudo que eu sei de vinho e de construção de castelos foi ele que me passou — destaca a moradora, que mantém o resguardo dos proprietários em relação a divulgar nomes.
Para Thaiza, a chegada da família ao local foi praticamente um "chamado". A engenheira, que não é proprietária do castelo, conta que ficou responsável por cuidar do espaço, que passa por inventário desde a morte do dono, em 2021, e, nos anos seguintes, foi depredado, invadido e roubado.
A história do castelo

Do que Thaiza sabe, a construção do castelo começou em 1984. Dois anos depois, o homem que idealizou e desenhou o lugar, a esposa e os pais teriam passado a morar ali. Ao todo, a obra completa teria levado 13 anos.
— Antigamente não tinha rede social, internet, coisas do tipo, para tu ficar pesquisando, então como uma pessoa que não teve contato com nada disso faz uma construção assim, desenha tudo? Ele falava que sonhou com um local desses e quis iniciar a construção dessa forma — lembra Thaiza, que é natural de Bento Gonçalves.
Ela diz ainda que um segundo castelo foi construído em meados de 2000, desta vez, na Estrada do Mar. Tempos depois, o local foi vendido e passou a abrigar um templo maçônico.
O que tem dentro do castelo
A estrutura é dividida em duas partes: uma residencial e outra comercial. Alguns espaços estão desativados, principalmente porque precisam de reforma.
A ala comercial é composta por um salão principal e um inferior. Era neste local que ficava a adega que Thaiza um dia tocou. Em outros tempos, um restaurante italiano também teve ali o seu ponto. Nesta mesma área, um segundo pavimento, não utilizado, tem duas salas, quarto, cozinha e banheiro.
Já a ala residencial conta com três salas, cozinha, quatro banheiros, três quartos e garagem. É no térreo que a família mora e onde recebe ensaios fotográficos. O pavimento seguinte passa por reforma.
Thaiza e a família têm feito reparos no castelo, como pinturas internas, colocação de decorações e conserto da parte elétrica.
— Quando o local foi roubado, foi arrancado o telhado para poderem entrar e tirarem as coisas. Não fizemos toda a estruturação de um telhado, mas fizemos ali para não entrar mais água. Estamos fazendo pequenos reparos só para ter a preservação do local — esclarece.
Uma paixão medieval
A engenheira, o marido e o filho fazem parte de uma comunidade apaixonada pelo mundo medieval. Junto a amigos, mantêm o clã Wolfsrudel, grupo que se reuniu a partir dessa afinidade histórica.
A proximidade com esse universo se expressa em eventos que promovem danças típicas, atividades esportivas como arquearia e uso de trajes característicos. No dia a dia, porém, a rotina no século 21 impede algumas adaptações.
— Bastante gente brinca com isso: "Ah, se eu morasse aí, eu estaria vestida..." (risos). Mas, não, no nosso dia a dia, trabalhamos em outro ramo, temos outras atividades. O que geralmente interfere na nossa rotina? A parte esportiva. Gostamos de jogos, de treinar arquearia quando nos encontramos com amigos — exemplifica Thaiza.
Em novembro, ela planeja realizar uma feira medieval no castelo, com expositores e torneios de jogos temáticos.
A engenheira ainda sonha em comprar o castelo um dia e tirar do papel um projeto: montar uma vila medieval com possibilidade de hospedagem, além de realizar eventos e investir nas áreas esportiva e artística — tudo isso dentro dessa temática.
Castelos no RS
O castelo onde Thaiza mora com a família não é o único do Rio Grande do Sul. Inaugurado em 1975, quando Caxias do Sul celebrava o centenário da imigração italiana, o Chateau Lacave, na Serra, é um dos mais conhecidos do Estado.
No Sul gaúcho, o Castelo de Pedras Altas, no município de mesmo nome, também chama a atenção pela arquitetura em estilo medieval e europeu. Antiga propriedade de Assis Brasil, foi palco da assinatura do Tratado de Paz de Pedras Altas.
Outro exemplo é o Castelo Montsalvat, em São Francisco de Paula, também na Serra.
