Primeiro governador do Rio Grande do Sul eleito pelo voto direto em meio ao processo de redemocratização do Brasil, Jair Soares governou o Estado entre 1983 e 1987. Hoje com 92 anos, ele inaugura a série de entrevistas Memórias do Piratini, conduzida pela comunicadora Andressa Xavier. Pelo programa em vídeo, que integra o Conversas Cruzadas, passam 10 ocupantes do palácio — de Jair Soares a Eduardo Leite. Os episódios serão publicados ao longo de três semanas em GZH e nos canais do Youtube de GZH e da Gaúcha.
“Foi tudo calculado”
Entre os destaques da conversa, estão os bastidores da campanha em que venceu nomes como Pedro Simon, Alceu Collares e Olívio Dutra — todos eles se tornariam governadores mais tarde. Jair detalha o grau de planejamento da disputa, que extrapolou a estratégia política tradicional e teve a imagem do candidato como um dos focos.
— Fui a Paris buscar aquele bronzeador. Para o cabelo, um fixador. Um barbeador elétrico e fiz uma tarde inteira subindo e descendo escada experimentando perfumes. Li todos os livros. Essa coisa foi muito preparada. São coisas assim que a pessoa pode não dizer, mas tudo foi preparado. Foi tudo calculado — relembra.
“Eu tinha um lastro”
Antes de ser governador, Jair Soares ocupou cargos no governo estadual, elegeu-se deputado federal pela Arena em 1978 e assumiu o Ministério da Previdência Social no governo João Figueiredo, o último presidente da ditadura militar.
— Eu tinha um lastro, sem falsa modéstia. Quando fui convidado para ser secretário de Estado da Saúde e Meio Ambiente, encontrei uma área que estava desacreditada. E eu cheguei lá e resolvi fazer um diagnóstico institucional, uma verdadeira tomografia da saúde no Rio Grande do Sul — conta.
“O que eu posso querer mais?”
Com mais de 70 anos de vida pública, Jair Soares segue ativo. Chegou a sugerir a criação de um conselho de caráter consultivo formado apenas por ex-governadores para aconselhar o mandatário em eventuais situações de crise, mas o projeto não avançou:
— Quero ajudar as pessoas. Imagine, oito ex-governadores que passaram quatro anos (no poder). São 32 anos dessas pessoas de experiência — reforça.
Na entrevista, ele fala de aprendizados no Japão sobre a valorização de pessoas mais velhas, o que sente que não ocorre no Brasil:
— Aprendi que as pessoas, quanto mais velhas na idade, é que conseguem chegar aos grandes cargos. No Brasil, não dão lugar para essas pessoas. E, aos 92 anos de idade, o que eu posso querer mais?


