O escritor, roteirista e produtor Beto Ribeiro foi o convidado do programa RivoTalks, apresentado por Gabriel e Cecília. À frente de um dos canais de maior sucesso dedicados a destrinchar o comportamento humano e casos criminais no YouTube, Beto explicou que o interesse pelo universo do true crime começou cedo, marcado pelo medo coletivo de grandes crimes dos anos 1990. Formado em Economia, ele acumulou experiências no e-commerce brasileiro e na direção audiovisual, onde aprendeu as técnicas práticas de edição, ritmo e condução de entrevistas com grandes cineastas.
Na conversa, o produtor compartilhou como lida com o trabalho e criticou brechas jurídicas que protegem criminosos violentos no Brasil, defendendo debates sobre punição. Ele também relembrou episódios marcantes de sua própria juventude, destacando a importância da terapia em sua formação e o processo de superação do bullying sofrido na adolescência.
Entre os casos de maior impacto ele cita o assassinato da atriz Daniella Perez e a morte de Paris do Basílio da Silva, divisores de águas em sua percepção da violência urbana. Segundo ele, transitar pelas mesmas áreas onde as tragédias ocorreram trouxe um forte sentimento de vulnerabilidade que acabou direcionando seu interesse profissional.
— O Aparício me impactou porque eu estava começando a querer entender como ir para esse universo gay na cidade de São Paulo. E quando vem uma morte de um homem com aquela categoria toda, que marca 90 tesouradas, encontrado (não) sei das quantas. Ali eu comecei a me interessar pelo crime, pelas histórias humanas por trás do crime — afirma.

O escritor credita sua sensibilidade na edição e na condução de conversas à mentoria de Roberto Gervides no início da carreira. Para ele, saber identificar o ritmo de um depoimento e valorizar a capacidade de expressão do entrevistado é o que define o sucesso de uma narrativa documental.
Distância necessária dos criminosos
Apesar de comandar um canal focado em criminalidade, ele evita entrevistar as pessoas que cometeram os delitos. Na sua avaliação, o foco de seu trabalho não exige o contato direto com o ambiente carcerário.
— Eu entrevistei poucos criminosos, eu não gosto. O problema é o seguinte, a maior parte dos criminosos que quer me dar entrevista, inclusive, está na cadeia ainda, e eu não vou à cadeia. Eu não quero essa energia pra mim, eu não vou sair do meu estúdio pra lá, não estou afim e não preciso — defende.



