
O desembargador do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2) Alcides Martins Ribeiro Filho foi encontrado morto na tarde desta terça-feira (19) no Parque Nacional da Tijuca, nos arredores da Vista Chinesa, zona sul do Rio de Janeiro.
Alcides estava desaparecido há mais de um mês, sendo visto pela última vez no dia 14 de abril. Ele foi encontrado por agentes policiais e do Corpo de Bombeiros. A perícia já foi feita no local.
Entenda o caso
Segundo informações obtidas pelo jornal O Globo a partir das investigações policiais, Alcides Martins Ribeiro Filho foi visto pela última vez no dia 14 de abril, quando sacou R$ 1 mil e entrou em um táxi para a Vista Chinesa, na Floresta da Tijuca, ao final da tarde.
Desde então, não haviam mais notícias sobre o paradeiro do magistrado até a localização do corpo por agentes da Delegacia de Descoberta de Paradeiros (DDPA) e do Corpo de Bombeiros. Conforme a Polícia Civil, não havia sinais de violência no corpo de Alcides.
A perícia no local foi realizada pela Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) e o corpo do desembargador foi encaminhado ao Instituto Médico-Legal (IML). As circunstâncias da morte do desembargador ainda são investigadas.
Violência doméstica
Alcides foi afastado de suas funções no Tribunal ainda em 2025 pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), suspeito de cometer violência doméstica contra sua esposa. Segundo apurado pela CNN Brasil, em maio do ano passado, moradores de um prédio em Ipanema teriam ouvido gritos vindos do apartamento do desembargador e acionado a Polícia Militar (PM).
Quando chegaram ao local, os policiais viram uma mulher que relatou ter sido agredida pelo marido. Ela possuía marcas no pescoço e braço. A filha de Alcides, de 8 anos, também estaria no apartamento e teria presenciado a cena.
Conforme testemunhas, o magistrado teria sido agressivo com os policiais e tentou impedir sua entrada no apartamento. Ele precisou ser algemado e, quando foi contido, afirmou que era desembargador e que a ação da PM era ilegal.
O que diz a defesa da ex-mulher
A Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro afirmou ao site O Globo, em nota, que atua como assistente qualificada da ex-mulher de Alcides, que ela foi vítima de violência doméstica e familiar.
A Defensoria também ressaltou que o desembargador "foi denunciado pelo Ministério Público Federal (MPF) pela prática de crimes relacionados à violência doméstica e outros tipos penais. O processo tramita em segredo de justiça perante o Superior Tribunal de Justiça (STJ), que deferiu medida protetiva de urgência em favor da vítima".
"A Instituição reafirma seu compromisso com a proteção integral das mulheres em situação de violência e repudia qualquer tentativa de culpabilização ou revitimização da assistida, ainda que no contexto de um cenário aflitivo como o do desaparecimento do desembargador federal", destacou a defensoria.
Posicionamento do TRF-2
Em nota (leia a íntegra abaixo), o Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2) informou que lamenta a morte do desembargador, mas que "até o momento, contudo, não houve reconhecimento oficial da identidade" de Alcides. O Tribunal afirmou que comunicará a informação quando ela estiver disponibilizada.
O TRF-2 também manifestou solidariedade aos familiares, amigos e colegas do magistrado.
Leia abaixo a nota do TRF-2:
"O Tribunal Regional Federal da 2ª Região informa, com profundo pesar, que foi encontrado, no Parque Nacional da Tijuca, no Rio de Janeiro, um corpo que, segundo as autoridades responsáveis pela investigação, apresenta indícios de ser do Excelentíssimo Desembargador Federal Alcides Martins Ribeiro Filho, desaparecido desde o dia 14 de abril.
Até o momento, contudo, não houve reconhecimento oficial da identidade. Assim que a identificação for formalmente concluída pelas autoridades competentes, novas informações serão comunicadas por este Tribunal.
Em nome dos magistrados e servidores, o Presidente da Corte, Desembargador Federal Luiz Paulo da Silva Araújo Filho, manifesta solidariedade aos familiares, amigos e colegas do Eminente Desembargador Alcides Martins Ribeiro Filho neste momento de apreensão e tristeza."


