
Embora cada vez mais integrado à operação e à cultura das empresas, o ESG — sigla, em inglês, para Environmental, Social and Governance (Ambiental, Social e Governança) ainda exige mudanças estruturais no dia a dia dos negócios para avançar. Com esse tema no centro do debate, o Painel RBS reuniu, nesta terça-feira (7), lideranças de empresas com forte atuação no Estado para falar sobre os desafios e as oportunidades da aplicação desse conceito, especialmente nos aspectos sociais e de governança.
Mediado pelo comunicador do Grupo RBS Rodrigo Lopes, o painel reuniu Bruno Jatene, CFO e diretor de Relações com Investidores da Regional Sul da Aegea, Caio Doi, diretor de Gestão de Pessoas da Marcopolo, e Eliane Medeiros, diretora de Pessoas e Sustentabilidade na Be8.
O evento integra as ações do movimento Pra cima, Rio Grande, lançado em 2024 pelo Grupo RBS em resposta ao maior desafio coletivo da história recente do Estado: a reconstrução após a enchente.
Mesmo que o ESG venha se tornando mais palatável à população nos últimos anos, o termo ainda enfrenta certas barreiras. Seja pela nomenclatura em inglês ou por aspectos técnicos. Com isso como pano de fundo, o mediador provocou os painelistas sobre a necessidade de repensar o esses processos.
Os convidados convergiram ao destacar que o caminho não passa simplesmente pela mudança de nome, mas pela integração do ESG à estratégia das empresas — deixando de ser um acessório para se consolidar como um conjunto de práticas incorporadas à cultura diária de colaboradores e parceiros.
Propósito e pertencimento
Trazer o ESG para dentro do negócio, envolvendo os colaboradores nos processos de sustentabilidade, governança e impacto social foi uma das principais estratégias citadas.
A diretora de Pessoas e Sustentabilidade na Be8 afirmou que, ao ter orgulho do seu papel e da companhia nesse processo, os trabalhadores criam um ambiente em que todos ganham:
— Muitas vezes as pessoas querem continuar ou querem vir trabalhar com a gente pela agenda de sustentabilidade. Temos muito a acrescentar, não só pelo retorno para a organização, mas também pelo que fica na sociedade.

O CFO e diretor de Relações com Investidores da Regional Sul da Aegea destacou que o ESG precisa ir além de um conceito presente em relatórios. Como exemplo, afirmou que, na própria empresa, as práticas estão incorporadas ao dia a dia e à cultura do negócio.
— Nós no saneamento estamos tratando basicamente de saúde pública, de impacto social. De chegar a água até a pessoa, ter o tratamento do esgoto para aquela comunidade vulnerável que historicamente nunca teve acesso a nada — afirmou Jatene.

Já o diretor de Gestão de Pessoas da Marcopolo salientou como é importante trabalhar o aspecto social dentro da empresa. Com colaboradores estimulados e entendendo o impacto do que fazem na sociedade, os avanços sociais são potencializados.
— Quando a gente trata bem o colaborador, quando ele tem clareza do propósito do que faz e enxerga uma carreira pela frente, a empresa também está exercendo sua responsabilidade social. Isso é importante de dentro para fora — pontuou Doi.

Diversidade
Nos últimos anos, a diversidade tem sido o guia de muitos negócios em busca de evolução, adaptação a novos hábitos de consumo e melhor gestão. Os painelistas também abordaram esse processo, destacando a formação de equipes diversas como um valor de negócio e um diferencial estratégico.
A diretora de Pessoas e Sustentabilidade da Be8 afirmou que estimular a equidade dentro da organização é importante nesse processo. Como exemplo, citou a necessidade de estratégias que buscam equidade para mulheres competirem em igualdade de condições com os homens dentro das empresas. Estimular as lideranças e se colocar no lugar do próximo é um bom começo nesse sentido, segundo Eliane:
— Se a gente tratar todo mundo igual, vamos ter várias pessoas que não estarão representadas. Quando criamos um ambiente de equidade, com condições para grupos subrepresentados terem os mesmos direitos, conseguimos um ambiente de equidade.
Caio Doi, da Marcopolo, entende que as organizações precisam trabalhar a diversidade na base do negócio. Com pessoas diferentes discutindo um mesmo assunto, aumenta a chance de avanços tanto para a empresa quanto para o desenvolvimento da sociedade. Além disso, respeitar as diferenças dos talentos também agrega nesse sentido:
— Nós temos colaboradores de diferentes nacionalidades, principalmente venezuelanos. Hoje a nossa comunicação interna é feita, aqui no Brasil, em português e espanhol para que a gente possa realmente respeitar essa diversidade, capacitar essas pessoas e trazer o maior valor agregado possível.
Fazendo uma analogia como filme A Vila (2004), no qual uma comunidade vive isolada do resto do mundo, o CFO e diretor de Relações com Investidores da Regional Sul da Aegea, afirma que a diversidade é uma questão de sobrevivência. Os negócios precisam estimular a diversidade, entender as diferentes necessidades de cada colaborador e preparar lideranças para gerir essas equipes. Com isso, é possível criar uma operação que entrega melhores resultados para a empresa e para a sociedade.
— Muitas empresas que ainda não têm esse olhar voltado para a diversidade, talvez estejam ainda na vila, sem perceber que precisam ultrapassar a mata para enxergar melhor o que existe lá do outro lado. O mundo é muito diferente do que já foi um dia, nos anos 1970, 1980. Então, precisamos respeitar esse mundo novo dentro das companhias — complementa.


