
Duas semanas após a queda de avião que matou os empresários Luís Antonio Ortolani, 61 anos, e Déborah Belanda Ortolani, 59, os filhos deles falaram pela primeira vez sobre o acidente. Em meio ao luto, eles destacam a trajetória da família e a decisão de dar continuidade ao negócio que marcou a vida dos pais por mais de três décadas.
O avião em que estavam Luís Antonio e Déborah, um monomotor, caiu sobre um restaurante, logo após decolar, em Capão da Canoa, no Litoral Norte, no dia 3 de abril. Além do casal, outras duas pessoas que estavam a bordo morreram: o sócio da empresa de aviação a que pertencia a aeronave, Renan Saes, e o piloto Nelio Pessanha. O restaurante estava fechado para reforma. O acidente ainda está sendo investigado.
Naturais de Ibitinga, no interior de São Paulo, Luís e Déborah moravam há cerca de 20 anos em Capão da Canoa, onde consolidaram a marca Feira de Ibitinga, referência no mercado itinerante de produtos têxteis, inicialmente focado em bordados.
Acidente aéreo em Capão da Canoa
O casal deixou quatro filhos: os trigêmeos Fabrício, Fábio e Felipe Belanda, de 37 anos — filhos de Déborah —, e Guilherme Ortolani, de 33 — filho de Luís —, criados como irmãos. Hoje, dois são médicos e outros dois são empresários em ramos distintos, com vidas estabelecidas no Estado de São Paulo.
— A gente já tinha uma conexão muito grande com o Rio Grande do Sul. Mas após esse acontecido, percebemos que podemos contar com bastante gente. Muita gente nos deu a mão, se solidarizou. E isso acaba fortalecendo ainda mais a nossa vontade de fazer com que esse negócio cresça — afirma Fábio Belanda.
Além dos filhos, Luis e Deborah deixaram um neto. A irmã de Deborah, Gláucia Belanda, trabalha na organização da Feira de Ibitinga há 14 anos e destaca a união da família como um fator para levar o negócio adiante.
— Eles queriam que a família estivesse sempre unida. A gente sempre se deu muito bem e trabalhou muito bem, nunca tivemos problema algum. Eles achavam que essa união fazia a nossa força — relata Gláucia.

A família evita comentar diretamente o acidente, que segue sob apuração, pela Polícia Civil e pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa). Um relatório preliminar deve ser apresentado dentro de 15 dias. Os filhos disseram não ter conhecimento de transação em curso para a compra do avião e lembraram que os pais não tinham medo de voar.
— Ultimamente eles andavam com frequência em aeronaves fretadas, mas não tinham medo — diz Guilherme.
Os irmãos confirmam que aquela era a primeira vez que os pais voavam na aeronave que caiu. Luís e Déborah foram sepultados em Ibitinga.












