O avião que caiu sobre um restaurante em Capão da Canoa, no Litoral Norte, não possuía caixa-preta, confirmou o delegado Marco Swirski na segunda-feira (6). O dispositivo, que registra dados e áudios, não é obrigatório para o modelo de aeronave, uma Piper Jetprop DLX. Todas as quatro pessoas que estavam a bordo morreram.
A Polícia Civil abriu inquérito e fará a apuração criminal dos fatos, para esclarecer as circunstâncias do acidente e identificar possíveis responsabilidades. Como não há sobreviventes, a investigação ouvirá familiares das vítimas, testemunhas relacionadas aos imóveis atingidos e pessoas ligadas à empresa proprietária do avião.
— No momento, a prioridade é a apuração técnica do evento, que vai indicar qual causa, ou causas, que levou ao acidente. Assim, somente com os laudos e análises concluídos será possível avaliar eventuais responsabilidades penais — explica Swirski.
Em outra frente, a Aeronáutica conduz a investigação técnica. O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) apura fatores humanos, materiais e operacionais que eventualmente contribuíram para a queda do monomotor.
— Tem caráter preventivo e não punitivo. Descobrir as causas para que um acidente não volte a acontecer — esclarece Vanius Cesar Santarosa, coronel da reserva da Brigada Militar (BM) e instrutor de voo do curso de Ciências Aeronáuticas da PUCRS.
Acidente aéreo em Capão da Canoa
Investigadores do Quinto Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos, com sede em Canoas, foram acionados. Entre outras atividades, os profissionais analisam destroços do avião recuperados dos escombros.
"Durante a primeira fase da investigação, os investigadores analisam destroços, documentos, registros, desempenho da aeronave, fotografias, filmagens, condições meteorológicas e tráfego aéreo, além de realizarem entrevistas e outros levantamentos, conforme a complexidade da ocorrência", elenca a Força Aérea Brasileira (FAB).
Em 30 dias, um relatório preliminar deve ser divulgado pelo Cenipa. A conclusão dos trabalhos, no entanto, não tem prazo previsto.
Fontes consultadas pela reportagem sugerem que a aeronave não decolou da cabeceira da pista e com vento de cauda, com isso, não teria atingido a velocidade ideal para uma decolagem segura.
Matrícula, modelo e situação da aeronave
A aeronave de matrícula PS-RBK e modelo Piper Jetprop DLX, que caiu sobre um restaurante, estava em "situação normal" de aeronavegabilidade, conforme a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
A documentação aponta que o avião foi fabricado em 1999, tinha seis assentos e peso máximo de 1.970 quilos para decolagem. O Certificado de Verificação de Aeronavegabilidade possuía validade até 30 de maio.
O avião decolou de Itápolis, município do noroeste paulista, em direção ao Rio Grande do Sul. A aeronave ainda fez escala na cidade de Forquilhinha, em Santa Catarina, para abastecer.
O voo que acabou em tragédia seria uma demonstração da aeronave aos futuros donos. Era a primeira vez do casal de empresários no modelo Piper Jetprop DLX.
— Eles estavam analisando a compra da aeronave — diz Allan Peluzzi, dono da Peluzzi Aviation, empresa de venda e aluguel de aviões.
As vítimas

Nenhum dos quatro ocupantes da aeronave sobreviveu. As vítima foram identificadas como os empresários Déborah Belanda Ortolani e Luis Antonio Ortolani, que eram casados, o sócio da empresa de aviação a que pertencia a aeronave, Renan Saes, e o piloto Nelio Pessanha.
A empresária Fernanda de Matos, amiga do casal, relata que Déborah e Luis eram muito unidos:
— Eles partiram juntos porque o amor deles era forte e verdadeiro.
O piloto e sócio da empresa de aviação a que pertencia a aeronave, Renan Saes, publicou um vídeo nas redes sociais momentos antes da fatalidade. Na postagem, feita por volta das 9h em seu perfil pessoal, é possível ver imagens da vista da janela do avião.
O Instituto-Geral de Perícias (IGP) do Rio Grande do Sul liberou os corpos das quatro vítimas e os velórios passaram a ser realizados entre a noite de sábado (4) e a manhã de domingo (5), em cidades de três estados diferentes: Capão da Canoa (RS), Itápolis (SP) e Campos dos Goytacazes (RJ).












